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saúde mental

O impacto invisível das LERDORT na saúde mental do brasileiro - Revista Cipa
SST - Prevenção de Acidentes

O impacto invisível das LER/DORT na saúde mental do brasileiro

by 11 de fevereiro de 2025
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Imagine sentir uma dor constante nos punhos ou ombros, a ponto de tarefas simples como digitar ou levantar uma xícara se tornarem insuportáveis. Agora, imagine que, além do desconforto físico, a condição dobra suas chances de desenvolver depressão ou ansiedade. Esse é o impacto das LER/DORT – Lesões por Esforço Repetitivo (LER) e dos Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (DORT), que afetam milhares de brasileiros e estão longe de ser apenas um incômodo passageiro.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde, pessoas que convivem com dor crônica têm quatro vezes mais chances de desenvolver depressão e o dobro de probabilidade de enfrentar dificuldades no trabalho. No Brasil, os números são alarmantes: entre 2018 e 2023, mais de 46 mil casos de LER/DORT foram registrados, com um aumento expressivo no último ano, segundo dados do DATASUS.

A terapeuta ocupacional Syomara Cristina Szmidziuk, que há mais de 30 anos atua na reabilitação de pacientes com lesões neuromotoras, alerta para a importância do diagnóstico precoce e da abordagem integral no tratamento dessas condições. “Não se trata apenas de aliviar a dor. É preciso entender que essas lesões comprometem a autonomia do paciente e afetam diretamente sua saúde mental. A reabilitação precisa considerar corpo e mente para ser eficaz”, explica.

A dor crônica também pode afetar o sono, aumentar os níveis de estresse e contribuir para a depressão. Estima-se que de 35% a 45% das pessoas com dor crônica sofram de depressão, segundo estudo publicado pelo Ochsner Journal.

 

LER/DORT e as condições inadequadas

 

As síndromes conhecidas como LER ou DORT afetam os músculos, esqueleto e nervoso. Em grande parte dos casos, são causadas por condições de trabalho inadequadas ou agravadas por elas. Entre os distúrbios mais comuns estão a tenossinovite e a tendinite, que provocam inflamação nos tendões; a epicondilite, conhecida como cotovelo de tenista, que inflama músculos e tendões do cotovelo; e a bursite, que atinge pequenas bolsas de líquido responsáveis por reduzir o atrito entre músculos, tendões e ossos. Também se destacam a síndrome do túnel do carpo, causada pela compressão de um nervo no punho, e a doença  De Quervain, que provoca inflamação nos tendões do polegar.

A relação entre o ambiente de trabalho e o agravamento dessas condições também é evidente. Jornadas exaustivas, cobrança excessiva por produtividade, falta de reconhecimento e até situações de assédio moral agravam o quadro. “Em muitos casos, os profissionais têm de encarar a incredulidade de colegas e chefes, já que a dor é algo muito subjetivo e difícil de ser comprovado. Isso gera frustração e isolamento,” comenta Syomara.

A terapeuta ressalta que é necessário também ter cautela com movimentos repetitivos fora do ambiente profissional. Falta de postura ou ergonomia nas horas de lazer – como no uso excessivo de celulares, computadores ou controles de videogames – podem agravar casos de LER/DORT. O mesmo acontece em outras atividades rotineiras, como carregar sacolas de compra de forma inadequada, elevar pesos excessivos ou fazer tricô por muitas horas.

 

Prevenção a LER/DORT

 

A prevenção passa por adaptações ergonômicas no ambiente profissional e mudanças na rotina. Ajustes simples, como cadeiras e mesas na altura correta, uso de equipamentos ergonômicos e pausas regulares para alongamentos, reduzem a sobrecarga muscular. Alternar tarefas que exigem diferentes grupos musculares também é fundamental para evitar esforços repetitivos.

Além das medidas físicas, a conscientização sobre ergonomia e o cuidado com o estresse no ambiente de trabalho são essenciais. Programas de orientação e um ambiente que valorize o bem-estar ajudam a identificar sintomas precoces, além de prevenir o agravamento das condições. Atividades físicas regulares e posturas adequadas completam o ciclo de prevenção, o que garante mais saúde e produtividade aos trabalhadores.

A terapeuta ocupacional acredita na importância de um olhar integral para o paciente, atuando na recuperação da funcionalidade e na redução da dor. Esse trabalho avalia as limitações do paciente nas atividades diárias e profissionais, desenvolvendo estratégias que incluem exercícios de fortalecimento e alongamento, técnicas de relaxamento e orientações sobre posturas corretas. O tratamento também engloba educação sobre ergonomia e suporte emocional, o que ajuda a evitar recaídas, promovendo qualidade de vida.

Com o Dia Mundial de Combate as LER/DORT (28 de fevereiro) se aproximando, Syomara reforça que o problema precisa ser levado a sério não só pelas empresas, mas também por cada indivíduo. “A dor é muitas vezes invisível aos outros, mas seu impacto é devastador. Criar ambientes de trabalho saudáveis e promover a conscientização são passos inadiáveis para evitar que milhares de brasileiros percam não só sua produtividade, mas também sua qualidade de vida.”

Foto: Freepik

11 de fevereiro de 2025 0 comments
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Riscos psicossociais é tema de evento em associação do setor químico - Revista Cipa
SST - Saúde Ocupacional

Riscos psicossociais é tema de evento em associação do setor químico

by 11 de dezembro de 2024
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A Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim) se reuniu para discutir o tema “Riscos Psicossociais”, o que inclui a promoção de ações a favor da saúde física e mental dos trabalhadores do setor.

Yhebert Gouveia Afonso, vice-presidente de Operações e Conformidade da Abiquim, frisou em sua fala sobre a importância de programas de saúde mental dentro das empresas. Desde 2021, a entidade junto  a uma startup desenvolveram ações de saúde mental com os colaboradores da Associação.

“É preciso fazer um exercício constante em relação às estratégias para identificar, avaliar e mitigar riscos psicossociais no ambiente de trabalho, levando em consideração práticas sustentáveis que considerem as necessidades do trabalhador e do empregador. Esse é um diálogo de extrema relevância”, afirmou em sua apresentação.

 

Saúde mental e o combate aos riscos psicossociais

 

Promovido pela Comissão de Relações de Trabalho e do Grupo de Trabalho de Saúde, Segurança e Higiene do Trabalhador da associação, o evento, ocorrido em novembro, destacou a saúde mental e como ela pode combater os riscos psicossociais. De acordo com a Organização Mundial da Saúde, aproximadamente 8,5% da população tem algum distúrbio relacionado à ansiedade.

Para falar do tema, Leonardo Borba, assessor da deputada Maria Arraes (Solidariedade-PE), explicou, em sua apresentação por videoconferência, o Projeto de Lei 14.831/2024, de autoria da deputada, que trata sobre o Certificado Empresa Promotora da Saúde Mental, que terá validade de dois anos. Segundo o PL, as empresas interessadas em obter o selo, em âmbito nacional, precisam se adequar a critérios de promoção da saúde mental e do bem-estar de seus trabalhadores estabelecidos.

“A celeridade na aprovação mostra como vários atores podem colaborar para sua implementação e aprimoramento. Vale lembrar que a ausência da regulamentação não impede que as empresas comecem a implantar as diretrizes da lei. O que precisamos é efetivamente implementar uma cultura de saúde nas empresas. Trata-se de uma necessidade”, disse o especialista.

Foto: divulgação

11 de dezembro de 2024 0 comments
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HC-UFMG debate saúde mental na Sipat e celebra 40 anos do Serviço de Saúde do Trabalhador - Revista Cipa
SST - Prevenção de Acidentes

HC-UFMG debate saúde mental na Sipat e celebra 40 anos do Serviço de Saúde do Trabalhador

by 30 de outubro de 2024
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O Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (HC-UFMG) comemorou os 40 anos de atuação do Serviço de Saúde do Trabalhador, com uma Sipat – Semana Interna de Prevenção de Acidentes do Trabalho, reunindo profissionais e autoridades que destacaram a importância dessa iniciativa, fundada para apoiar as trabalhadoras e trabalhadores em melhorar suas condições de vida e laborais.

O serviço foi criado em parceria entre a Faculdade de Medicina da UFMG, o Hospital das Clínicas e entidades de previdência social, frisa a professora Andréia Maria Silveira, que representou a diretoria da Faculdade de Medicina no evento, ocorrido em outubro: “Manter um serviço em um hospital universitário no contexto do SUS é desafiador, mas conseguiu superar-senos momentos de crise. A residência se manteve e se fortaleceu, especialmente com o reconhecimento da especialidade. Isso nos dá força”, arremata.

 

Sipat e saúde mental

 

“O Hospital das Clínicas é 100% SUS, e, além de oferecer assistência de qualidade, cumpre seu papel na formação de novos profissionais e na produção de conhecimento e tecnologia. Esse serviço é um exemplo de como um hospital universitário integra assistência, ensino, pesquisa e extensão”, afirma o professor Alexandre Ferreira,superintendente do HC.

O HC-UFMG também promoveu, durante a 19ª Semana Interna de Prevenção de Acidentes de Trabalho (Sipat), em agosto, uma discussão sobre saúde física e mental. As atividades foram promovidas pela Comissão Interna de Prevenção de Acidentes e Assédio/Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares no estabelecimento (Cipa/Ebserh).

Pâmela Nery,presidente da Cipa/Ebserh, comenta que desde o início da atual gestão da CIPA, por conta de demandas trazidas pelo próprio grupo de cipistas, foram desenvolvidas ações sobre a questão do adoecimento mental como uma necessidade urgente a ser discutida e trabalhada.

“A saúde mental afeta diretamente a saúde física, por isso é importante oferecer reflexões e oficinas de relaxamento e autocuidado. São pequenas ações que podem mudar todo o dia de trabalho de forma positiva”, conclui.

 

Foto: Acervo HC-UFMG

30 de outubro de 2024 0 comments
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INC - Prevenção de Incêndios

Além dos pulmões, queimadas afetam a saúde mental da população

by redacao 25 de setembro de 2024
written by redacao

São Paulo é, pelo terceiro dia consecutivo, a metrópole com a pior qualidade do ar no mundo, segundo o serviço de monitoramento suíço IQAir, que avalia grandes cidades globais. A fumaça das queimadas, combinada com a poluição urbana, tem deteriorado a qualidade do ar, gerando um cenário preocupante para a saúde pública. A exposição contínua a esses poluentes já resulta em um aumento significativo de problemas respiratórios e coloca a saúde mental da população em risco.

A má qualidade do ar, além de causar doenças respiratórias como asma e bronquite, está associada a impactos na saúde mental. Estudos recentes revelam que a poluição vai além dos pulmões e afeta o bem-estar psicológico. Um estudo publicado no “Jama Network” mostra que idosos expostos a altos níveis de poluição têm maior risco de desenvolver depressão após os 64 anos. A pesquisa indica que a vulnerabilidade física, especialmente a pulmonar e neural, aumenta as chances de complicações psiquiátricas em ambientes poluídos.

 

Reflexos na saúde mental

 

Outro estudo, realizado por pesquisadores da China e do Reino Unido, reforça essa associação ao apontar que a exposição prolongada à poluição do ar também está ligada a casos de ansiedade, além da depressão. A pesquisa acompanhou cerca de 390 mil adultos no Reino Unido ao longo de 11 anos e revelou que aqueles que viviam em áreas com pior qualidade do ar eram mais propensos a sofrer de distúrbios psicológicos.

Dra. Fernanda Monteiro, Head de Saúde da Vibe Saúde, explica que a poluição atmosférica pode desencadear ou agravar problemas de saúde mental. “A má qualidade do ar contribui para um aumento nos níveis de estresse e pode intensificar sintomas de ansiedade e depressão, especialmente em pessoas que já são mais vulneráveis. A sensação de ar pesado e a falta de ar também causam desconforto físico, o que pode desencadear um ciclo de preocupação e piora do estado psicológico”, afirma. A médica recomenda que, em períodos de alta poluição, as pessoas limitem atividades ao ar livre, busquem ambientes mais limpos e pratiquem atividades que promovam relaxamento, como meditação e exercícios respiratórios.

Além dos impactos diretos na saúde mental, a poluição afeta a qualidade de vida de maneira mais ampla, influenciando o sono. O desconforto causado por irritações nas vias respiratórias e a dificuldade de respirar devido ao ar poluído podem interferir no ciclo de sono, levando a noites mal dormidas.

“A poluição causa desconforto nas vias aéreas superiores, inflamação e efeitos em todo o organismo por causa de alterações no sangue. A inflamação da via aérea superior pode piorar o ronco e a apneia do sono e, consequentemente, afetar o sono. Já a obstrução nasal, por si só, piora a qualidade do sono porque dificulta a respiração”, afirma o Dr. Geraldo Lorenzi, pneumologista da Biologix, healthtech brasileira especializada em medicina do sono.

25 de setembro de 2024 0 comments
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Relatório da EU-OSHA oferece soluções simples para promover a saúde mental no trabalho - Revista Cipa
SST - Saúde Ocupacional

Relatório da EU-OSHA oferece soluções simples para promover a saúde mental no trabalho

by 5 de setembro de 2024
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O novo relatório da Agência Europeia para a Segurança e Saúde no Trabalho (EU-OSHA) recomenda que se trate a saúde mental com a mesma abordagem que os problemas de saúde física.

A mais recente orientação da Agência Europeia para a Segurança e Saúde no Trabalho – European Agency for Safety and Health at Work (EU-OSHA), para os locais de trabalho, centra-se na necessidade de dar suporte a indivíduos que enfrentam problemas de saúde mental e de tratar este problema com os mesmos critérios de segurança e saúde ocupacional (SST) reservados às questões físicas.

 

Relatório EU-OSHA

 

A par desta recomendação primária, o relatório da EU-OSHA destaca igualmente a importância de prevenir riscos relacionados com o trabalho que possam impactar a saúde mental e o bem-estar dos trabalhadores. Inclusive, fornece exemplos práticos de soluções simples e baratas que podem ajudá-los a apoiar e reter os trabalhadores.

Regra geral, os trabalhadores que enfrentam problemas de saúde mental querem continuar a trabalhar e, nessa medida, o relatório disponibiliza aos empregadores informações práticas sobre as medidas que podem ser adotadas para apoiar as pessoas com esse perfil ou a trabalhar ou a regressar ao local de trabalho após uma ausência por doença relacionada com a saúde mental.

Nesse sentido, a orientação mais recente da EU-OSHA aponta para mudanças no ambiente de trabalho, nos horários de padrões de funcionamento, bem como nas tarefas e equipamentos usados. Estas são algumas das medidas práticas que a agência sugere para ajudar e reter os trabalhadores que retornam à empresa depois de um período de doença.

A  EU-OSHA complementa estas orientações com uma revisão sobre boas práticas no local de trabalho e um conjunto de recomendações de políticas.

5 de setembro de 2024 0 comments
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Dores musculares e sofrimento psicológico compromete a harmonia no ambiente de trabalho - Revista Cipa
SST - Saúde Ocupacional

Dores musculares e sofrimento psicológico compromete a harmonia no ambiente de trabalho

by 27 de junho de 2024
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Considerado um dos principais motivos de afastamento do trabalho, as doenças osteomusculares (DORT), como a Lesão por Esforço Repetitivo (LER), incapacitam não só fisicamente, mas afetam diretamente o estado psicológico do trabalhador. Anualmente, cerca de 30 mil pessoas sofrem com o mal no Brasil, conforme o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Segundo Adriana Belintani, advogada especialista em saúde mental, para compreender as estatísticas, é preciso analisar a condição das estruturas oferecidas nesse ambiente de trabalho, tais como ergonomia, pausas frequentes, manejo de pesos compatíveis. “Essa análise minuciosa deve ser considerada e tratada com seriedade pelas empresas e, também, pelo próprio profissional, que precisa identificar se está confortável ou não em seu posto de trabalho”, ressalta.

 

Sintomas psicológicos e as doenças musculares

 

Mas o que encontramos, na prática, diz ela, é um descaso perante as doenças musculares, que são muitas vezes negligenciadas ou ainda tratadas de modo desumanizado.

“O incômodo e restrição causados pelas dores frequentes deve ser diagnosticados por meio de exames médicos, acompanhados de laudos clínicos e afins. Já os sintomas que comprometem a saúde mental, normalmente, ficam à deriva. O fato é que em muitos casos, a causa do desconforto está relacionada à alta demanda de trabalho da função. É o que é chamado de estresse emocional, que apresenta indícios como formigamentos, tensão e rigidez muscular, inchaços, inflamação nos tendões, perda força muscular, entre outras limitações”, explica a advogada.

De acordo com Adriana, o que muitos esquecem, é que o poder limitador da DORT desencadeia, em pouco tempo, quadros de depressão, desânimo, baixa autoestima, irritabilidade, incapacidade de visualizar perspectivas positivas e distúrbios do sono. “Independente do estado físico, são esses quadros que estão diretamente ligados ao aumento do número de afastamentos do trabalho. Por sua vez, o afastamento pode piorar o quadro, visto que se estabelece dúvidas sobre a perspectiva de melhoria de condições de trabalho, do retorno normal às funções e, até, da possibilidade de ser readmitido no quadro funcional”, informa.

O psicológico na cultura organizacional

 

A linha tênue entre a dor física e psicoemocional precisa ser revisitada pelos empregadores, observa a especialista. “É preciso incluir essa pauta na cultura organizacional das companhias. Afinal, a prevenção ainda é a melhor forma de construir o bem-estar no trabalho. Ações como o estabelecimento da ginástica laboral, meditação, pausas nos ambientes de interação pessoal, planejamento de demandas, atendimento psicológico, humanizam a relação de trabalho. Essa reflexão tem sido amplamente discutida pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que define a cultura organizacional como o resultado do conjunto de crenças e práticas cotidianas da empresa que afetam o bem-estar mental e físico dos trabalhadores”, diz.

Ela lembra que é evidente que os vínculos atuais entre empregadores e trabalhadores é uma relação integrativa, por isso, os direitos trabalhistas não devem ser tidos apenas como ameaças para assegurar benefícios, como o estado psicológico saudável. “Por outro lado, negligenciar políticas de qualidade de vida trabalho fere pessoas, diminui a produtividade e impacta na credibilidade da marca do empregador”, conclui.

27 de junho de 2024 0 comments
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Síndrome de Burnon: reconheça os sinais e previna o burnout - Revista Cipa
SST - Saúde Ocupacional

Síndrome de Burnon: reconheça os sinais e previna o burnout

by 7 de maio de 2024
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Atualmente, uma questão que está chamando a atenção no novo cenário da SST é a doença “burnon”, que diferente da síndrome de burnout, quem tem burnon não consegue se afastar do trabalho. Os riscos são muitos, mas, felizmente existem as formas de tratamento.

No ano passado, o governo brasileiro atualizou a lista de doenças incluindo 165 novas patologias, como abuso de drogas e transtornos mentais como o burnout (conhecido como Síndrome do Esgotamento Profissional). “Essa lista do Ministério da Saúde tem como finalidade orientar o SUS, por exemplo, a ter melhores diagnósticos e tratamentos terapêuticos”, afirma Marcelo Mascaro, advogado trabalhista.

A lista foi atualizada pouco tempo depois da pandemia da Covid-19 trouxe à tona doenças mentais como ansiedade, depressão e o próprio burnout, mas outra apareceu recentemente: o burnon – conhecido como paixão excessiva pelo trabalho.

 

Qual é a diferença entre burnout e burnon?

 

Segundo reportagem na Exame, apesar dos nomes serem semelhantes, a psicóloga clínica Cristina Cogo explica que enquanto o Burnout afasta do trabalho, no Burnon a pessoa continua trabalhando. “A Síndrome de Burnout se desenvolve quando a pessoa está exposta às cargas excessivas de trabalho e condições de muita pressão, o que chamamos de Síndrome do Esgotamento Profissional”, diz. “É mais evidente, a pessoa percebe a exaustão e precisa se afastar do trabalho.”

Já a Síndrome de Burnon confunde “paixão pelo trabalho”, segundo a psicóloga, que reforça que a pessoa sofre pela busca da excelência e por ter a sensação de nunca fazer o suficiente. “A pessoa acredita que é uma fraude intelectual, mesmo atingindo altos resultados. Não consegue encontrar prazer fora do ambiente de trabalho, porque se dedica até o ponto de exaustão para atingir sua própria meta ou a imposta pela empresa.”

Pelo sofrimento emocional ser mais ocultado, Cogo afirma que aparentemente a pessoa está sempre satisfeita em sua ocupação (sublimação) e pouco percebe os prejuízos com sua saúde mental.

 

Qual é a origem do burn-on?

 

O conceito de “burn-on” como um fenômeno distinto do burnout é relativamente recente na literatura científica e no discurso sobre saúde mental no trabalho. Diferentemente do burnout, que tem sido amplamente estudado e discutido desde a década de 1970, o burn-on ainda é um termo menos estabelecido e pesquisado, afirma Joaquim Santini, pesquisador internacional de comportamento, com passagem por universidades como Harvard, nos EUA, e INSEAD, na França.

“O termo “burnon” foi definido pelo Dr. Bert te Wildt, psicoterapeuta alemão, e seu colega, o psiquiatra Timo Schiele, em seu livro intitulado “Burn-on: Always on the Brink of Burnout” (Burn-on: Sempre à Beira do Burnout)”, diz o pesquisador.

Por meio de suas pesquisas e experiências clínicas, eles identificaram e caracterizaram o fenômeno do burnon como uma condição em que os indivíduos estão constantemente à beira da exaustão e do colapso, mas continuam a trabalhar e a manter uma aparência de produtividade e sucesso, mesmo que estejam enfrentando uma forma mascarada de depressão.

O Dr. Bert te Wildt tem sido uma voz ativa na discussão sobre o burnon, compartilhando suas percepções e conhecimentos sobre o assunto em entrevistas, como a concedida ao South Morning China Post, onde ele destaca a natureza traiçoeira e muitas vezes negligenciada desse fenômeno no ambiente de trabalho contemporâneo, afirma o pesquisador.

“Nessa entrevista ele diz que o burnon também pode ser descrito como uma depressão mascarada. Ele explica que os pacientes estão sempre à beira de um colapso, mas continuam e cultivam, por trás de um sorriso, um tipo diferente de exaustão e depressão”.”

O burnon pode levar ao burnout, porque aqueles que sofrem com essa condição tendem a subestimar sua fadiga e fragilidade emocional, ou atribuí-las a fatores não relacionados ao trabalho. No entanto, Santini afirma que nem sempre o burnon evolui para o burnout, já que algumas pessoas podem conviver com o problema por anos sem que isso as impeça de comparecer ao trabalho diariamente. “Esse fato contribui para a falta de compreensão do fenômeno tanto pelas autoridades públicas quanto pelas empresas”, diz.

“Aqueles que sofrem de “burn on” continuam a se dedicar intensamente ao trabalho, muitas vezes até o ponto de exaustão. No entanto, ao contrário do burnout, esse comportamento é frequentemente elogiado e recompensado no ambiente corporativo, dando a falsa impressão de que o indivíduo está se destacando em suas funções”, afirma Santini.

 

Causas do burnon

 

O que está causando burnon nas pessoas hoje?

No contexto contemporâneo, a psicóloga afirma que os sinais desta paixão pelo trabalho levam a uma busca incessante pelo sucesso e pela realização profissional.

“Objetivos difíceis de serem alcançados impostos por superiores, competividade com os demais colegas, horas intermináveis de trabalho, informações sem fim por causa da internet, tudo isso gera dificuldade de aproveitar o tempo livre e podem levar a uma obsessão sem limites, uma vez que não consegue se desconectar do trabalho”, diz Cogo que reforça que se trata de uma síndrome silenciosa.

Quais são os sinais sutis do Burnon?

Os sinais sutis do “burn on” podem ser facilmente confundidos com dedicação e comprometimento com o trabalho, o que torna esse fenômeno ainda mais perigoso. Aqui estão alguns sinais aos quais as pessoas devem estar atentas:

  1. Workaholismo: A pessoa se torna obcecada pelo trabalho, dedicando horas extras excessivas e tendo dificuldade em se desligar, mesmo durante o tempo livre.
  2. Negligência do autocuidado: O indivíduo começa a negligenciar suas necessidades básicas, como alimentação adequada, exercícios físicos e sono suficiente, em favor do trabalho.
  3. Isolamento social: As relações pessoais e sociais são colocadas em segundo plano, pois a pessoa se concentra quase exclusivamente em suas responsabilidades profissionais.
  4. Irritabilidade e impaciência: O estresse constante pode levar a mudanças de humor, tornando a pessoa mais irritável e menos tolerante com os outros.
  5. Perda de motivação: Apesar de continuar trabalhando arduamente, o indivíduo pode sentir uma diminuição da satisfação e do prazer em suas atividades profissionais.
  6. Problemas de saúde: Sintomas físicos, como dores de cabeça frequentes, problemas gastrointestinais e fadiga crônica, podem ser indicativos de um desequilíbrio causado pelo excesso de trabalho.
  7. Culpa e ansiedade: A pessoa pode se sentir culpada por tirar um tempo para si mesma ou experimentar ansiedade constante em relação às demandas do trabalho.
  8. Perda de criatividade: A exaustão mental pode levar a uma diminuição da criatividade e da capacidade de resolver problemas de forma inovadora.
  9. Dificuldade em dizer não: O indivíduo pode ter problemas em estabelecer limites saudáveis e recusar demandas adicionais, temendo decepcionar os outros ou prejudicar sua imagem profissional.
  10. Falta de tempo para hobbies e interesses pessoais: As atividades que antes traziam prazer e equilíbrio são abandonadas em favor do trabalho.

Santini reforça que esses sinais podem se manifestar de forma gradual e sutil, tornando-os difíceis de reconhecer.

“Se você ou alguém que você conhece está experimentando vários desses sintomas, é crucial buscar ajuda e fazer mudanças para promover um equilíbrio mais saudável entre o trabalho e a vida pessoal. Lembre-se de que o autocuidado e o bem-estar devem ser prioridades, porque são essenciais para o sucesso e a satisfação a longo prazo, tanto na esfera profissional quanto no pessoal.”

Quais são os riscos para a saúde?

Quando o trabalho começa a se tornar o centro da vida da pessoa, ao longo do tempo problemas podem surgir, afirma Cogo, como episódios de ansiedade, graves estados depressivos, esgotamento físico e mental, pânico e estresse.

“Geralmente, o medo de ser percebido com menos comprometimento, impede a busca pela ajuda profissional, deixando as consequências de a saúde mental evoluírem silenciosamente.”

Entre as profissões que são mais suscetíveis a desenvolver a Síndrome de Bunon, isto devido ao excesso de trabalho vinculado à pressão, a psicóloga cita como exemplo advogados, psicólogos, médicos, enfermeiros, jornalistas, bancários, policiais, professores, oficiais de justiça, atendentes de telemarketing e demais profissionais que exercem longas jornadas de trabalho.

Como tratar o burnon e o burnout?

Reconhecer as diferenças entre burn-on e burnout é essencial para abordar essas questões de forma adequada, afirma Santini. Enquanto o burnout requer intervenções para aliviar a exaustão e recuperar o equilíbrio, o burn-on demanda uma mudança de mentalidade e a adoção de estratégias para estabelecer limites saudáveis e priorizar o autocuidado.

“Em ambos os casos, é fundamental criar um ambiente de trabalho que valorize a saúde mental e o bem-estar dos funcionários, promovendo uma cultura de respeito, apoio e equilíbrio. Somente assim será possível prevenir e superar os desafios impostos tanto pelo burn-on quanto pelo burnout”, diz o pesquisador.

A cultura do autocuidado também é uma diretriz ao tratamento da Síndrome de Burnon, afirma Cogo. “O descanso do trabalho é muito importante para a saúde mental, ou seja, é preciso ter equilíbrio entre a vida pessoal e profissional, já que é comum a pessoa negligenciar as necessidades pessoais e sociais.”

Além do equilíbrio, a psicóloga reforça que terapias, atividades de lazer como um esporte ou uma arte, encontro com amigos, férias e até yoga pode ajudar o funcionário a cuidar da saúde física e mental.

Outro ponto que Cogo traz é a necessidade de ver essas doenças com um olhar ocupacional, ou seja, mais ligada à gestão de trabalho do que a aspectos individuais.

“Se a pessoa está apaixonada pelo trabalho, tudo fica muito intenso, desde a entrega dos resultados ao tempo dedicado. Assim, percebe-se que o tratamento de ambas as doenças se inicia em respeitar os limites de si mesmo. É preciso cuidar de si mesmo para que não ultrapasse a linha do que é saudável.”

No nível organizacional, Santini reforça que é crucial que as empresas promovam uma cultura de bem-estar e equilíbrio. Isso pode envolver a implementação de políticas de horário flexível, o incentivo a pausas regulares durante o dia de trabalho, a oferta de programas de gerenciamento de estresse e a promoção de um ambiente de trabalho positivo e colaborativo. “Os líderes têm um papel fundamental em modelar comportamentos saudáveis, comunicar expectativas realistas e oferecer suporte e recursos adequados aos funcionários”, diz.

“Além disso, é importante que as organizações invistam em treinamentos e desenvolvimento de habilidades para ajudar os funcionários a lidar com o estresse e a construir resiliência. Programas de mentoria, coaching e aconselhamento podem ser valiosos para fornecer orientação e suporte individualizados.”

 

Foto: Reprodução

7 de maio de 2024 0 comments
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Programas de saúde mental, que envolvem uma abordagem holística, promovem melhorias aos funcionários - Revista Cipa
SST - Saúde Ocupacional

Programas de saúde mental, que envolvem uma abordagem holística, promovem melhorias aos funcionários

by 1 de abril de 2024
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Assunto recorrente aqui em Cipa, a saúde mental é também uma pauta que precisa ser discutida dentro do ambiente laboral, especialmente com as mudanças tão drásticas que vivenciamos, como a Covid-19 e as novas formas de se trabalhar. Uma abordagem holística pode ajudar bastante.

E não é para menos: estudo da consultoria Deloitte mostrou que para 68% dos funcionários e 81% dos executivos entrevistados, melhorar o bem-estar é mais importante do que progredir na carreira. Já para 80% das organizações ouvidas, o bem-estar dos colaboradores é uma parte crucial da sua estratégia de negócio, sendo que 61% planejam investir mais em programas relacionados nos próximos anos.

 

Abordagem holística

 

Oferecer um clima organizacional saudável, encontrando o equilíbrio entre o desempenho e aprimoramento das relações entre colaboradores é a fórmula considerada ideal para diminuir os casos de transtornos psicológicos: “Finalmente, as empresas estão se dando conta que bem-estar vai além do corpo.A abordagem holística reconhece a interconexão do bem-estar físico, mental, emocional e social dos indivíduos. Sendo assim, as empresas têm percebido a importância de se criar um canal de comunicação seguro aos colaboradores, que possam expressar suas necessidades”, explica Inês Telma, terapeuta comportamental, à Folha de Vitória.

Mas os programas de bem-estar realmente funcionam?

Se ainda há dúvidas, um dado pode comprovar: segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a cada dólar investido em programas de bem-estar, as empresas podem esperar um retorno do investimento (ROI) de aproximadamente 4 a 6 dólares, devido à melhoria da produtividade e custos reduzidos.

Contudo, se faz necessária a busca por parte das organizações e também das pessoas por programas de saúde mental idôneos ou com uma abordagem holística, e que se encaixem conforme cada caso. “O tema deve ser estudado com maior profundidade. Vale lembrar que não há soluções prontas ou mágicas que se apliquem à todas as organizações”, argumenta Alberto Ogata, doutor em Saúde Coletiva pela Universidade de São Paulo (USP), em artigo para o site RH pra Você.

Ele cita um termo em inglês que está aparecendo muito, o “wellness-washing”, ou seja, a oferta de serviços individuais de bem-estar sem modificar as condições de trabalho, que podem ser tóxicas e ainda mascarar situações piores, como o assédio moral. “Os gestores dos programas de bem-estar nas organizações devem aliar as iniciativas individuais com a melhoria das condições de trabalho, sempre ouvindo a voz do trabalhador (suas necessidades e interesses) e realizar avaliações constantes do seu impacto”, endossa.

Inês concorda e acrescenta que a comunicação dentro do ambiente corporativo sobre o tema deve ser aberta, eliminando estigmas e incentivando a procura de apoio capacitado. “As empresas mais sensibilizadas têm investido na promoção do bem-estar e no acesso a serviços de saúde mental para enfrentar esse desafio no local de trabalho. Sendo assim, a adoção de terapias que promovam um alívio, reduzindo o estresse e o esgotamento é vista como um caminho sem volta rumo ao ganho de produtividade e satisfação”, afirma a terapeuta.

 

Boas práticas

 

Um exemplo de boas práticas vem de Alagoas. O Centro de Referência Regional de Saúde do Trabalhador de Maceió (Cerest) realiza ações de conscientização sobre a importância da saúde mental, desmistificando tabus e promovendo o cuidado psicológico em todas as esferas da sociedade. Para tanto, foi feita a elaboração de material informativo, bem como palestras educativas em unidades de saúde, em que profissionais e pacientes, na promoção de um ambiente de cuidado e apoio mútuo.

Isso se estendeu para além dos muros do ambiente hospitalar, já que as equipes se deslocaram para supermercados da região, orientando sobre segurança no trabalho e ergonomia: “A nova portaria do Ministério da Saúde (Nº1999/2023) lista uma série de diagnósticos de transtornos mentais e comportamentais que podem ser causados ou agravados pelo trabalho, reforçando a necessidade de uma abordagem integrada na promoção da saúde mental no contexto laboral”, enfatiza Analinne Maia, psicóloga e responsável pela vigilância dos transtornos mentais e violências relacionadas ao trabalho na Diretoria de Vigilância em Saúde (DVS) local.

 

Foto: Analinne Maia – Cerest Maceió, AL

1 de abril de 2024 0 comments
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Estresse prolongado prejudica gradativamente a saúde dos trabalhadores, apontam estudos - Revista Cipa
SST - Saúde Ocupacional

Estresse prolongado prejudica gradativamente a saúde dos trabalhadores, apontam estudos

by 11 de março de 2024
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Boletos, problemas pessoais e profissionais, guerras, crise climática, violência nas cidades. Esse combo de notícias e situações ruins juntamente com local de trabalho tenso pode resultar em problemas sérios de saúde. Pesquisa da Associação Americana de Psiquiatria mostrou que a exposição constante a notícias negativas, informações perturbadoras e imagens angustiantes é um dos principais impulsionadores do estresse e da ansiedade dos funcionários, podendo prejudicar a saúde e a produtividade dentro das empresas. Em números, os trabalhadores norte-americanos estão preocupados com a inflação (76%), a violência (69%) e o meio ambiente (61%).

Já no Brasil, os trabalhadores da chamada Geração Z (pessoas nascidas, em média, entre a segunda metade da década de 1990 e o ano de 2010) estão entre as mais deprimidas e ansiosas, segundo outro levantamento, o da health tech Vittude, especializada em saúde mental, divulgada pela Bloomberg Línea.

Dados apontam que uma em cada quatro pessoas empregadas no país (27,7% do total) com idade até 25 anos se diz com ansiedade; a mesma proporção (27,5%), com depressão; e uma em cada três (36,5%), com estresse. “A geração que registrou maiores índices de transtornos é também a primeira nativa digital, ou seja, já nasceu em um ambiente assim. Podemos traçar um paralelo entre o aumento do desenvolvimento de transtornos mentais como esses citados pela pesquisa com o aumento de contato e familiaridade com a tecnologia”, salienta Tatiana Pimenta, CEO da Vittude.

 

Gatilhos do estresse

 

O excesso de informações, telas e ainda a acessibilidade constante a dispositivos de demonstram as pessoas estarem sempre online e/ou dispostas a trabalhar a qualquer momento e em qualquer lugar são os gatilhos para doenças relacionadas ao estresse, como Burnout, ansiedade e depressão, alertam os especialistas.

Falando em Síndrome de Burnout, o Brasil tornou-se um terreno fértil para o desenvolvimento desse transtorno, destaca a psiquiatra Alexandrina Maria Meleiro, da Associação Nacional de Medicina do Trabalho (Anamt), à CNN. “O Brasil é o primeiro país no mundo no índice de ansiedade (9,3%) e é o quinto no mundo de depressão, só perdendo na América para os EUA. Então, nós temos uma incidência muito alta, uma prevalência de depressão e ansiedade e claro que isso atinge o trabalhador. Em média, 30% são afastados e é um dos motivos de mais incapacidade para o trabalhador”, frisa.

“Tem uma série de profissões que são mais comuns de se observar esse tipo de fenômeno. Trabalhadores da área da saúde, submetidos a situações de extremo estresse, tendo que lidar com perdas muito significativas, com o medo de contaminação, com incerteza às vezes com condições de trabalho que não são favoráveis”, pontua Catarina Dahl, consultora de saúde mental, álcool e outras drogas das Organizações Pan-Americana da Saúde (Opas) e Mundial de Saúde (OMS), também ao canal.

 

Por um ambiente que favoreça a resiliência

 

Inevitável estarmos alheios ao noticiário, inertes ao uso de tecnologias e dispostos a ficar totalmente off-line, contudo a busca pelo equilíbrio necessita ser uma premissa se quisermos melhorar a qualidade de vida e de trabalho.

Para tanto, as empresas precisam também embarcar nesse objetivo, estando cientes da importância de pausas, respeito aos horários, distribuição de tarefas, demandas e ainda o emprego de ações de saúde mental não sendo vistas apenas como um bônus, mas ferramenta importante aos colaboradores. “Não cabe mais olhar a saúde mental como um pilar de benefício oferecido. O cuidado emocional precisa ser integrado e exige atenção por meio de programas. Afinal, isso impacta o bem-estar, a motivação, odesempenho e a produtividade das equipes”, frisa Tatiana Pimenta, da Vittude.

 

Como, então, as corporações podem ser aliadas a esse propósito?

 

Melissa Miller, diretora de clínica médica, e Andrea Mingo, treinadora de Wellness, ambas da plataforma de saúde e meditação Calm, recomendam que as organizações invistam na cultura da conversa, com times alinhados em criar uma “aliança para a saúde psicológica”, ou seja, um manifesto a favor da saúde mental, dando voz a todos os atores. Isso pode ser feito desde o setor de Recursos Humanos até as pessoas que trabalham como terceirizadas, por meio de treinamentos e capacitações, sempre com uma ajuda especializada.

Elas também propõem o que chamam de “PIE check-in”, uma verificação se os times estão bem nos quesitos Físico (Physical), Intelecto (Intellectual) e Emocional (Emotional). “Inicie reuniões com uma conversa aberta com a equipe, permitindo que os funcionários sejam ouvidos por meio da auto-avaliação. Como você está fisicamente, intelectualmente, emocionalmente? Às vezes, a resposta vai ser ‘estou exausto, triste’ ou ‘sinto-me esgotado, sobrecarregado’. Dar espaço para compartilhar, de forma autêntica, ajuda as pessoas a se sentirem mais seguras o suficiente para dividir esses problemas, e os líderes, em especial de RH, possam entender essas demandas e buscar ajuda”, esclarecem.

Foto: GettyImages

11 de março de 2024 0 comments
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Pesquisas apontam que as condições de trabalho se tornaram mais intensas, extensas e tensas - Revista Cipa
SST - Prevenção de Acidentes

Pesquisas apontam que as condições de trabalho se tornaram mais intensas, extensas e tensas

by 6 de fevereiro de 2024
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Está se sentindo cada vez mais tenso no ambiente de trabalho, isso não é apenas uma sensação. Isso é resultados das mudanças nas condições de trabalho nos últimos tempos. A gigante em tecnologia HP realizou recentemente seu primeiro estudo global denominado “Índice de Relacionamento com o Trabalho” e mensurou o que é constatado em boa parte das empresas: apenas 27% dos 12 mil entrevistados disseram que tem uma relação amistosa com seus empregos, por exemplo.

Para piorar, 55% assumiram ter dificuldades com o bem-estar mental e emocional; relataram ainda menos produtividade (34%), mais desinteresse (39%) e maior sensação de desconexão. O estudo, divulgado no site Você RH, foi feito com os chamados “trabalhadores do conhecimento”, ou seja, cuja jornada laboral é em mesas, além de mais de 2 mil gestores de Tecnologia da Informação (TI), e 1,200 mil líderes de empresas, em 12 países, incluindo o Brasil, Estados Unidos, França e Índia.

 

Condições de trabalho

 

Marcia Bandini, professora da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), destaca que a relação com o trabalho passou por mudanças profundas nos últimos anos, impactando diretamente na saúde das pessoas.

“Existe uma tríade: o trabalho se tornou mais intenso, mais extenso e mais tenso. O adoecimento por questão física permanece, mas o adoecimento na parte mental surgiu com mais força”, explica a especialista, que fez parte da coordenação técnica responsável pela inclusão de 165 patologias na lista do Ministério da Saúde de doenças relacionadas ao trabalho por causarem danos à integridade física ou mental do trabalhador, à CNN.

 

Em busca do diálogo

 

Para a professora, o aumento da lista das doenças relacionadas ao trabalho poderá auxiliar no entendimento sobre a relação do trabalho com o processo saúde/doença, fazendo com que a prevenção seja mais eficaz. “É necessário que Sistema Único de Saúde (SUS) seja interligado ao da Previdência, a fim de aumentar o diálogo”, acrescenta.

Já Fernando Mantovani, diretor-geral da consultoria de Recursos Humanos Robert Half, descreve que é preciso também os trabalhadores tenham uma postura preventiva: “Você provavelmente conhece bem a si mesmo e sabe identificar os gatilhos capazes de te desestabilizar, bem como sua função e a empresa para qual trabalha. Ainda que esses conhecimentos não sejam plenos, podem te dar uma noção em momentos mais críticos”, diz.

E conclui: “Reserve um tempo do seu dia ou da semana para avaliar esse período mais intenso e, assim, elaborar um plano de ação estratégico que pode ajudar a contornar essas situações com organização e serenidade”.

Foto: reprodução

6 de fevereiro de 2024 0 comments
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