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Pesquisa da Fundacentro alerta que a lição mais difícil é cuidar da saúde dos professores - Revista Cipa
SST - Saúde Ocupacional

Pesquisa da Fundacentro alerta que a lição mais difícil é cuidar da saúde dos professores

by 23 de setembro de 2024
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Professores, agentes de educação e demais trabalhadores do ensino têm como missão levar o aprendizado aos mais diversos estudantes e isso requer não apenas o preparo para disseminar o conhecimento, mas também a saúde física e mental para lidar com rotinas muitas vezes exaustivas, em mais de um estabelecimento e com realidades pertinentes, que vão desde a falta de recursos para a aplicabilidade das aulas, passando pelas condições de trabalho até casos de agressões.

 

Em números, de acordo com os dados do Censo Escolar e do Censo da Educação Superior de 2022, o Brasil conta com 2,3 milhões de docentes na educação básica e 316.792 na educação superior, sendo nos anos iniciais do ensino fundamental, 86,6% dos docentes possuem nível superior completo, sendo 84,9% licenciados e 1,7% bacharéis, enquanto 8,5% possuem ensino médio normal/magistério e 4,9% têm nível médio. Já no ensino médio, 96,1% dos professores têm nível superior completo, sendo 91,6% deles licenciados e 4,5% bacharéis, enquanto 3,9% possuem formação de nível médio.

 

 

Saúde dos professores

 

Segundo levantamento pela Fundação Jorge Duprat Figueiredo de Segurança e Medicina do Trabalho (Fundacentro), os principais problemas enfrentados pela categoria estão os distúrbios da voz, transtornos mentais e a violência. A constatação foi feita por conta do projeto “Os impactos do trabalho docente sobre a saúde e segurança dos professores: constatações e possibilidades de intervenção”, que resultou em seminários entre os anos de 2016 a 2018, que após uma pausa, teve a última edição em 2023, além de produção de publicações e livro sobre o assunto.

“O adoecimento ocorre com assujeitamento, que impede a pessoa de ser sujeito de sua própria história pelos processos penosos do trabalho que foram imputados. Trabalhadores adoecidos são os que mais se investem no trabalho. Não há limite na dedicação e se opta por uma estratégia quixotesca, ou seja, você contra o mundo”, destaca Renata Paparelli, professora na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC/SP), uma das participantes do evento promovido pela Fundacentro ano passado.

Ela atende trabalhadores com transtorno mental ou sofrimento psíquico intenso relacionado ao trabalho na Clínica Psicológica Ana Maria Poppovic, da PUC/SP. “Nesse isolamento, nasce o Burnout e também são comuns os casos de Transtorno de estresse pós-traumático (Tept), oriundos de situações de violências física e psicológica sofridas pelos professores”, explica.

 

Projeto de Lei

 

Em tramitação está o Projeto de Lei 2473/2023, que assegura direitos aos professores readaptados (realocados a um novo cargo em razão de limitações adquiridas por problema de saúde), inclusive a aposentadoria especial.De autoria da deputada Professora Luciene Cavalcante (Psol-SP) o PL garante a esses trabalhadores o direito de se aposentarem cinco anos antes do tempo de contribuição.

“Muitas vezes por alguma doença que os incapacita a continuar em sala de aula. Porém, mesmo não estando mais em sala, após o ingresso por concurso público, esses professores obtêm os direitos inerentes ao cargo ocupado, mesmo após readaptados”, comenta a deputada, em entrevista àAgência Câmara de Notícias.

 

Articulações

 

Em agosto,Luiz Marinho, ministro do Trabalho e Emprego (MTE), com Selma Rocha, diretora de Articulação com os Sistemas Nacionais de Ensino, Planos Decenais e Valorização dos Profissionais de Educação, e Maurício Holanda Maia, secretário de Articulação Intersetorial e com os Sistemas de Ensino, ambos do Ministério da Educação (MEC), para discutirem as atividades dos professores no país, sustentabilidade financeira e remuneração a aposentados e os trabalhadores na ativa.“O MEC está realizando trabalhos para aprimorar as estatísticas nacionais sobre a formação acadêmica dos professores, além das possibilidades de elevação do nível educacional, com o objetivo de valorizar a carreira docente”, frisou Selma Rocha.

O Sindicato Nacional dos Servidores Federais da Educação Básica, Profissional e Tecnológica (SINASEFE) destaca que as propostas conversadas englobaram a implementação de uma normativa própria para política de saúde do trabalhador; uma para política de saúde mental (de acordo com a Portaria n° 1261/2010); abono para perícias fora do domicílio do docente; e pautas sobre saúde mental, especialmente aos trabalhadores das InstituiçõesFederais de Educação, Ciência e Tecnologia (IFEs).

“A demanda é tratada pelos sindicatos como urgente, pois os servidores estão adoecendo e as IFEs não estão sabendo lidar com essa situação.Foi encaminhado que o MEC pense em formas de sensibilizar e abrir um debate com os gestores das IFEs, visando minimizar o sofrimento dos trabalhadores, assim como também fazer capacitação e encontros com as equipes médicas que realizam as perícias”, informa nota.

 

Foto: Gaia Schüler – Agência GOV

23 de setembro de 2024 0 comments
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Saúde mental das trabalhadoras negras é tema de pesquisa na Bahia - Revista Cipa
SST - Saúde Ocupacional

Saúde mental das trabalhadoras negras é tema de pesquisa na Bahia

by 3 de setembro de 2024
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Os transtornos mentais comuns associados ao trabalho (como depressão e estresse) são três vezes maiores em trabalhadoras negras.

Esta é uma das conclusões tiradas no levantamento realizado pelas pesquisadoras Camila Carvalho de Sousa, do Hospital Universitário Professor Edgar Santos, de Salvador, BA; e Tânia Maria de Araújo, da Universidade Estadual de Feira de Santana, Departamento de Saúde, Núcleo de Epidemiologia, Feira de Santana, BA, no artigo intitulado “Efeitos combinados de gênero, raça e estressores ocupacionais na saúde mental”.

 

Realização do estudo com mulheres negras

 

A amostragem transversal analisou os efeitos isolados e combinados de fatores de exposição de mulheres, negras e em situações de pressão nos serviços de saúde públicos da atenção básica e de média complexidade, sendo as Unidades de Pronto-Atendimento (Upas) e os serviços especializados, de seis municípios baianos.

“Os resultados reforçam que trabalhadoras negras têm mais desvantagens sociais e são mais suscetíveis a ocupações de maior esforço e menor recompensa (posições de trabalho menos valorizadas, menor remuneração, maior exposição a estressores), indo ao encontro de resultados documentados na literatura”, informa nota da Fundação Jorge Duprat Figueiredo de Segurança e Medicina do Trabalho (Fundacentro), cujo artigo está publicado em sua Revista Brasileira de Saúde Ocupacional (RBSO).

A trabalhadora negra enfrenta desafios diários que impactam diretamente sua saúde mental. Racismo, discriminação e desigualdade social geram estresse e ansiedade, afetando seu bem-estar e produtividade. Cuidar da saúde mental dessa mulher é fundamental para garantir um ambiente de trabalho justo e acolhedor, além de promover sua qualidade de vida. Valorizar sua saúde mental é reconhecer sua força e contribuição para a sociedade.

Foto: Freepik

3 de setembro de 2024 0 comments
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Fundacentro firma parceria para melhorar notificações de acidentes em hospitais - Revista Cipa
SST - Prevenção de Acidentes

Fundacentro firma parceria para melhorar notificações de acidentes em hospitais

by 25 de julho de 2024
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A Fundação Jorge Duprat Figueiredo de Segurança e Medicina do Trabalho (Fundacentro) assinou um acordo de cooperação técnica com a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) para unir esforços em notificar lesões relacionadas ao trabalho que afetam os usuários dos hospitais universitários no Brasil.

Segundo o acordo, de dois anos, cabe a Fundacentro, por meio do Projeto Caminhos do Trabalho, atender os usuários encaminhados pela Ebserh para avaliação do nexo entre o adoecimento do trabalhador e sua atividade ocupacional. Já a Ebserh vai fornecer espaço nos hospitais geridos para que os times do Projeto possam fichar, atender e indicar a entrada de todos os usuários, mapeando se a ida ao estabelecimento de saúde foi por conta de acidente de trabalho ou doença ocupacional.

 

Notificações em hospitais

 

“É necessário encaminhar todos os casos de usuário com suspeita de adoecimento laboral para a avaliação pelo Projeto Caminhos do Trabalho, bem como incentivar que todos os médicos em atividade nos hospitais notifiquem os casos que possam estar relacionados aos acidentes e doenças ocupacionais”, informa nota.

A Fundacentro coordena uma rede de atendimento em diversas regiões do país, contando com a colaboração de universidades públicas e outras instituições. A Ebserh, por sua vez, disponibiliza espaço em hospitais universitários para a realização dos atendimentos e contribui para a identificação de casos suspeitos de adoecimento relacionado ao trabalho.

Entre os serviços oferecidos estão:

  • Orientação jurídica: Esclarecimento de dúvidas sobre direitos trabalhistas e previdenciários.
  • Atendimento médico: Avaliação médica com foco na relação entre o problema de saúde e o trabalho, incluindo emissão da Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT), se necessário.
  • Apoio jurídico: Assistência jurídica nas áreas trabalhista e previdenciária.

Os benefícios do projeto visam:

  • Combate à subnotificação: O projeto contribui para identificar e registrar casos de doenças e acidentes de trabalho, muitas vezes subnotificados.
  • Acesso à saúde e direitos: Trabalhadores têm acesso a atendimento médico especializado e orientação jurídica gratuita.
  • Prevenção: A identificação precoce de problemas de saúde relacionados ao trabalho permite a adoção de medidas preventivas.

 

Foto: reprodução

25 de julho de 2024 0 comments
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Responsabilidade compartilhada garante mais segurança no trabalho florestal - Revista Cipa
SST - Prevenção de Acidentes

Responsabilidade compartilhada garante mais segurança no trabalho florestal

by 3 de junho de 2024
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Quem atua em funções que englobam o setor florestal, precisa também se proteger e salvaguardar em relação à Saúde e Segurança do Trabalho (SST). Para tanto, em 1998, o Brasil começou a discutir a criação de um código de práticas florestais com base no Código de Práticas sobre Segurança e Saúde na Atividade Florestal da Organização Internacional do Trabalho (OIT), culminando no ano seguinte por meio da Fundação Jorge Duprat Figueiredo de Segurança e Medicina do Trabalho a organização de um workshop do tema. Em 2003, o Código de Conduta da OIT foi traduzido para o português pela Fundacentro e publicado em 2005.

“O Brasil era o terceiro país da América Latina a discutir um código florestal. O primeiro foi as Ilhas Fiji, seguido pelo Chile, que já havia implantado o código com o apoio recebido da OIT, em caráter voluntário. O Uruguai foi o quarto país a optar pela elaboração inicialmente da legislação em segurança e saúde para posterior discussão do código”, informa Rosa Yasuko Yamashita, tradutora e revisora da edição em português, na introdução do documento, que tem em seu conteúdo elencar recomendações para a proteção dos trabalhadores dos riscos nessa área e reduzir a incidência de danos ou doenças ocupacionais.

 

SST no setor florestal

 

Não é à toa tal preocupação: segundo o Anuário Estatístico do Ministério da Previdência Social, entre 2007 e 2009, foram registrados 6.067 acidentes de trabalho na produção florestal. Em janeiro deste ano, por exemplo, um trabalhador de 30 anos morreu após ser atingido por uma lasca de madeira, em Itapeva, SP. De acordo com informações do g1, o acidente aconteceu em uma serralheria, localizada no Distrito Industrial, quando uma lasca se soltou e atingiu a região do peito do homem serrava uma peça de madeira.

Além dessa ocorrência, outros problemas podem ser acarretados desde o processo de extração das árvores (tombamento sobre os corpos dos trabalhadores) até as jornadas exaustivas, excesso de peso no carregamento, calor excessivo em fornos, caldeiras e solda elétrica, o alto nível de ruído e vibração, manejo de substâncias químicas como fungicidas e praguicidas, queimaduras, pó da madeira e iluminação precária nas madeireiras.

“Muitos acidentes de trabalho acontecem pela falta de qualificação e profissionalização adequada dos trabalhadores, visto que o conhecimento para o exercício da função é repassado por um colega de trabalho, por instrutores técnicos ou estagiários não devidamente treinados”, constatam as pesquisadoras Juliane do Valle Medeiros e Sonia Regina Jurado, da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), na publicação “Acidentes de trabalho em madeireiras, uma revisão bibliográfica” (2013).

 

Articulações

 

A Norma Regulamentadora que responde ao quesito é a NR-31 (Segurança e Saúde no Trabalho na Agricultura, Pecuária, Silvicultura, Exploração Florestal e Aquicultura), publicada em março de 2005, que incluiu o setor madeireiro.

Desde maio, a Organização Internacional do Trabalho (OIT) realiza uma consulta setorial tripartite com especialistas para atualizar o Código de Conduta da OIT sobre Segurança e Saúde no Trabalho no setor Florestal e em abril último, a Fundacentro e a Internacional dos Trabalhadores da Construção e da Madeira (ICM) realizaram uma reunião de trabalho virtual aberta com representantes sindicais, governamentais e de empregadores para sistematizar contribuições brasileiras ao documento.

“Os repertórios de recomendações práticas setoriais da OIT foram apresentados pelo oficial técnico Waltteri Katajamaki, da área de Economia Rural e Setores Relacionados. Ele salientou que, desde 2018, foram criados códigos para vários setores. Na ocasião, foi apresentado o projeto de repertório de recomendações práticas sobre segurança e saúde no trabalho florestal. São 841 parágrafos que devem ser examinados em pouco tempo, mas que requerem uma análise aprofundada sobre as mudanças no ambiente de trabalho atual”, informa nota da Fundacentro.

 

Cuidados

 

Além da utilização dos Equipamentos de Proteção (EPI) e a qualificação profissional, tais trabalhadores também precisam estar atentos aos procedimentos em SST para mitigar tais danos à saúde. Natielle Gomes Cordeiro, engenheira Florestal, frisa a importância da elaboração de um inventário florestal, levantamento das características quantitativas e qualitativas dos estoques presentes nas formações vegetais.

“Além da precisão na execução das atividades, o inventario também analisa se o trabalho atende aos cuidados de proteção individual para a correta segurança no trabalho do profissional competente. Muitas são as adversidades impostas na execução das atividades e são de fato preocupantes, por vezes imprevisíveis. Nesse sentido, é interessante que no planejamento operacional, executivo e orçamentário, tais situações sejam ponderadas”, conclui a profissional.

Foto: reprodução

3 de junho de 2024 0 comments
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Ergonomia é destaque na edição de 50 anos da Revista Brasileira de Saúde Ocupacional, da Fundacentro - Revista Cipa
SST - Prevenção de Acidentes

Ergonomia é destaque na edição de 50 anos da Revista Brasileira de Saúde Ocupacional, da Fundacentro

by 2 de fevereiro de 2024
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A Revista Brasileira de Saúde Ocupacional (RBSO), publicação da Fundação Jorge Duprat Figueiredo de Segurança e Medicina do Trabalho (Fundacentro), celebra seus 50 anos com um dossiê temático “RBSO 50 Anos”.

Os ensaios abordam diversos aspectos relacionados ao mote Segurança e Saúde no Trabalho (SST), como ergonomia, psicologia social do trabalho, cultura de segurança e acidentes ampliados no contexto industrial e sua integração com temas relacionados à saúde ambiental e SST.

 

Fundacentro destaca a Ergonomia

 

Um dos temas discutidos na edição é a importância da ergonomia na prevenção de acidentes e danos à saúde do trabalhador. E não é para menos: estima-se que até 2050, haverá 843 milhões de casos prevalentes de casos de dores lombares no planeta, um dos mais recorrentes motivos de afastamento nas funções de trabalho. Em 2020, o problema já afetou 619 milhões de pessoas no mundo, aponta estudo do jornal The Lancet.

Na publicação brasileira “RBSO 50 Anos”, o ensaio intitulado “A contribuição da ergonomia para a segurança no trabalho”, os pesquisadores Eugênio Paceli Hatem Diniz (Fundacentro, escritório de Minas Gerais), Francisco de Paula Antunes Lima (Universidade Federal de Minas Gerais,UFMG) e Raoni Rocha Simões (Universidade Federal de Ouro Preto, UFOP) discernem sobreos benefícios da Análise Ergonômica do Trabalho (AET) na prevenção de acidentes em sistemas de produção com altas taxas de acidentes, em especial os ultrasseguros e àqueles que atuam no serviço de motofrete.

“A análise da atividade dos motofretistas permitiu evidenciar que os determinantes mediatos da situação de trabalho (tempo prescrito versus tempo real, relações de poder, gestão e organização do trabalho) se sobrepõem aos fatores imediatos (comportamento no trânsito), podendo comprometer as margens de manobra dos trabalhadores. O método, ao auxiliar a ver e compreender o mundo dos trabalhadores pelos olhos deles próprios, possibilitou elaborar recomendações ainda pouco exploradas”, destaca o texto dos autores.

A íntegra desta e demais edições pode ser acessada nos sites da Fundacentro e do SciELO, pela rede social X ou aplicativo da revista via IOS e Android.

Foto: reprodução

2 de fevereiro de 2024 0 comments
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