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Pesquisa aponta que 90% dos trabalhadores brasileiros temem sofrer com desastres climáticos - Revista Cipa
SST - Gestão de Riscos

Pesquisa aponta que 90% dos trabalhadores brasileiros temem sofrer com desastres climáticos

by 23 de julho de 2024
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Entender a percepção dos trabalhadores brasileiros em relação às ações e ao apoio das empresas em que trabalham frente aos desastres climáticos. Este foi o principal objetivo da pesquisa realizada pela Cajuína, frente de inteligência da Caju (empresa de tecnologia que oferece soluções de benefícios e gestão para RHs), com apoio da plataforma Opinion Box.

A pesquisa contou com a participação de 1.039 trabalhadores – homens e mulheres de todas as classes sociais e regiões do Brasil, todos empregados sob o regime CLT em empresas privadas que possuem mais de 100 colaboradores.

 

Desastres climáticos

 

Como principal destaque, a pesquisa identificou que 90% dos trabalhadores têm medo de ser afetados por questões climáticas. Essa preocupação abrange diversos aspectos da vida, com destaque para o impacto na família, que é uma preocupação para 58% dos entrevistados, seguida pela saúde física e questões financeiras, ambas citadas por 50% dos trabalhadores.

No entanto, apenas 42% acreditam que suas empresas estão suficientemente preocupadas com o assunto, fator que indica uma desconexão entre a percepção dos colaboradores e a resposta corporativa às mudanças climáticas. Além disso, 77% dos trabalhadores brasileiros consideram as questões climáticas um tema relevante.

“Identificamos que grande parte dos trabalhadores brasileiros percebe os impactos das mudanças climáticas no cotidiano. Contudo, ainda são minoria as organizações que estão enfrentando esse desafio de maneira eficaz”, comenta Luiza Terpins, líder da Cajuína. “É crucial que o setor corporativo reconheça a gravidade deste problema e implemente ações para assegurar a segurança e o bem-estar de seus colaboradores”, diz.

 

Ações das empresas

 

Outros importantes insights da pesquisa destacam as experiências dos trabalhadores com desastres climáticos e como as empresas estão respondendo a essas preocupações. Confira:

  • Vivência com desastres climáticos: 46% dos trabalhadores brasileiros já enfrentaram situações decorrentes de desastres climáticos – com a maioria, 89%, sendo diretamente impactada por eventos como chuvas intensas, granizo ou deslizamentos. Destes afetados, 79% sofreram com interrupções de energia elétrica e 64% com problemas de conexão à internet. Além disso, 49% enfrentaram falta de água e 29% relataram perda ou danos a seus bens materiais, como móveis, eletrônicos ou veículos.
  • Impacto emocional: A pesquisa revela que as mudanças climáticas já estão afetando significativamente o bem-estar emocional dos trabalhadores. Aproximadamente 43% dos entrevistados relataram ter vivenciado sintomas de ansiedade devido a situações climáticas adversas, e 41% mencionaram sentir estresse relacionado ao clima.
  • Deslocamento e dificuldades de transporte: As condições climáticas adversas impactam consideravelmente o deslocamento dos trabalhadores: 59% afirmam enfrentar dificuldades para chegar ao trabalho devido ao clima, sendo as chuvas excessivas a principal causa.
  • Problemas no local de trabalho: A pesquisa também apontou que 39% dos trabalhadores já perceberam que o local em que trabalham sofreu efeitos de questões climáticas. Dentre os principais problemas observados estão a queda de energia (69%), dificuldades com a conexão à internet (49%), impossibilidade de acessar o local e danos a equipamentos (ambos 41%).

“Esses insights ressaltam a necessidade de as empresas desenvolverem políticas mais robustas e comunicativas em relação às mudanças climáticas, melhorando não apenas a resiliência operacional, mas também o suporte emocional e prático aos seus colaboradores em tempos de crise climática”, finaliza Luiza Terpins.

Foto: reprodução

23 de julho de 2024 0 comments
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Calor extremo e trabalho: OIT alerta para desafio global e medidas urgentes - Revista Cipa
SST - Prevenção de Acidentes

Calor extremo e trabalho: OIT alerta para desafio global e medidas urgentes

by 27 de março de 2024
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Em meio a mais uma onda de calor extremo no Brasil, discute-se aqui e em outros países a necessidade de rever normas em um cenário em que os trabalhadores cada vez mais são obrigados a exercer suas atividades sob temperaturas acima do considerado seguro. Nos últimos 30 anos, o número de dias em que o Brasil registrou calor extremo passou de 7 para 52 por ano.

Um relatório da Organização Internacional do Trabalho (OIT) alerta que, até 2030, o mundo deve perder cerca de 2% do total de horas trabalhadas por causa das altas temperaturas.

De acordo com a entidade, o calor excessivo afeta produtividade e o trabalho digno em praticamente todos os países e setores da economia. No entanto, os riscos são maiores para as atividades ao ar livre e que envolvem esforço físico, como na agricultura, construção civil, transporte, serviços de reparo e emergência, turismo e esportes.

A agricultura e a construção civil são apontas pela OIT como as atividades especialmente mais arriscadas, pois há exposição contínua ao sol, o que aumenta não só o risco de haver desequilíbrio térmico, mas do desenvolvimento de doenças crônicas relacionadas à exposição constante, como câncer de pele e problemas renais.

Segundo a OIT, temperaturas de até 26° C são seguras e confortáveis para o trabalho ao ar livre. Acima disso, há redução da capacidade de trabalho e riscos de estresse por calor.

 

Mortes pelo calor

 

A Cool Coalition, entidade para resfriamento eficiente e ecológico do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambientes, 5 milhões de pessoas morrem por ano mundialmente por consequências do calor extremo.

Os dados incluem trabalhadores que morreram em serviço por causa do calor. Por exemplo, em julho de 2023, na Itália, cinco trabalhadores da construção civil morreram em apenas uma semana pela exposição às altas temperaturas. Na época, os sindicatos reivindicaram que houvesse licença remunerada para o setor quando a temperatura ultrapassasse os 35° C.

Também no ano passado, trabalhadores da UPS – empresa equivalente aos Correios nos Estados Unidos – ameaçaram paralisar as atividades devido ao calor. Motoristas relataram que trabalham em caminhões sem ar-condicionado, que se transformam em fornos ao longo do dia.

Alguns chegaram a ser hospitalizados após um dia de entregas sob o calor extremo, com lesão renal grave e estresse por calor.

Aqueles que trabalham em ambientes fechados também sofrem riscos se a temperatura dentro desses locais não for adequadamente regulada, alerta a organização.

Um exemplo disso ocorreu no ano passado em Sorocaba, no interior de São Paulo, quando trabalhadores de uma fábrica passaram mal por causa da alta temperatura no ambiente de trabalho, que era um galpão com teto baixo e de zinco, sem refrigeração e com água quente para beber.

 

Queda na produtividade

 

A projeção feita pela OIT, de que o estresse por calor vai reduzir em 2,2% as horas de trabalho no mundo até 2030, pode parecer pouco, mas equivale ao rendimento de cerca de 80 milhões de trabalhadores em tempo integral.

A estimativa, além disso, é conservadora, pois leva em conta que o mundo conseguirá atingir a meta de não deixar a temperatura global aumentar mais de 1,5% até lá – meta que tem se tornado cada vez mais atingido considerando-se o ritmo das emissões dos gases de efeito estufa.

No Brasil, empresas da construção civil notaram uma queda no rendimento médio dos trabalhadores por causa do calor e do sol excessivo por longos períodos no passado. A situação é semelhante ao que sempre ocorreu durante as estações chuvosas, quando obras precisavam ser paralisadas.

Já no setor agrícola, a OIT estima que 60% das horas trabalhadas serão perdidas devido ao estresse por calor até 2030.

A organização aponta ainda que a informalidade e as condições de trabalho insalubre podem levar os trabalhadores a abandonarem a atividade agrícola.

 

Medidas de proteção

 

A OIT recomendou que os países criem normas e legislações para combater os abusos que levam trabalhadores a se exporem ao calor excessivo.

No Brasil, a legislação trabalhista prevê que os empregadores são responsáveis pelo bem-estar do trabalhador, incluindo o conforto térmico. Há também as Normas Regulamentadoras do Ministério Público do Trabalho que devem ser aplicadas de acordo com a atividade. Segundo o MPT, expor os trabalhadores ao calor extremo é uma violação da NR-24.

Até mesmo nos Estados Unidos, onde leis de proteção aos trabalhadores são menos comuns, começa-se a implementar medidas para evitar a exposição às altas temperaturas. O governo de Joe Biden recomendou que canteiros de obras e fazendas instalem alertas de perigo, além de aumentar a inspeção de segurança em relação ao calor nesses setores.

Já em 2019, em Phoenix, no Arizona, vários dias seguidos de calor extremo levaram que obras de infraestrutura fossem realizadas durante a noite para evitar o sol e as horas com temperaturas máximas.

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

27 de março de 2024 0 comments
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Clima e variação de temperatura podem causar mais acidentes laborais, revela pesquisa - Revista Cipa
SST - Saúde Ocupacional

Clima e variação de temperatura podem causar mais acidentes laborais, revela pesquisa

by 12 de fevereiro de 2024
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Seja em um clima mais quente, em ambiente de trabalho escaldante, seja em uma de frio recorde, em um ambiente congelante, o que é sentido na pele interfere diretamente na saúde do trabalhador e pode desencadear acidentes.

É o que comprova levantamento feito por pesquisadores das universidades Estadual de Maringá (UEM) e Federal do Paraná (UFPR). Eles examinaram 211.396 acidentes de trabalho registrados no Sistema de Informação de Agravos de Notificação do Ministério da Saúde (Sinan-MS) de 2006 a 2019, a maioria na região Sudeste, principalmente no estado de São Paulo (36%), dentro das empresas (56,9%) e entre homens (80,21%), atingindo mãos (30,74%), braços (17,83%) e pernas (17%); e juntaram dados de clima do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).

O resultado mostrou que os acidentes mais graves, com lesões na cabeça e no peito, ocorrem quando em temperaturas entre 23,3° C e 30,7° C. “Acidentes de trabalho em cooperativas nas regiões Norte e Nordeste estão associados a uma faixa de temperatura ainda mais alta, de 30,7° C a 38,1° C. Os autores do estudo recomendam pausas frequentes ao longo da jornada de trabalho, principalmente durante as ondas de calor, definidas como mais de três dias seguidos com temperatura acima de 35° C”, destaca matéria da Agência Fapesp.

 

Clima em ambientes externos

 

O corpo humano é programado para funcionar a uma temperatura média de 36,5° C e os especialistas alertam que temperaturas extremas podem levar até a falência órgãos vitais e o frio, por exemplo, pode causar uma espécie de depressão sazonal, já que quantidades de calor e de luz solar reduzidas podem alterar substâncias responsáveis pela regulação do humor e do sono, aponta pesquisa da Universidade de Harvard.

Tremores, suor excessivo ou mesmo ranger os dentes são sinais que o corpo reverbera como defesa do organismo, que sente essas variações de temperatura. Também o cansaço, irritação e fadiga são outros sintomas sentidos e é preciso estar alerta para que não prejudique a saúde de quem trabalha nessas condições.

Para Joachim Latsch, especializado em medicina do esporte da Universidade de Columbia, sentir frio e calor são experiências muito particulares. “Assim como as pessoas têm números diferentes de pés, algumas têm mais sensores. Outras, menos”, explica ao UOL.

A quem atua em áreas externas, como na construção civil (canteiro de obras), carteiros, limpeza urbana (garis), além de catadores, pescadores, vendedores ambulantes, agricultores, entre outros profissionais, precisam usar Equipamentos de Proteção Individual adequados a essas temperaturas. Protetor solar, óculos de sol, chapéus, bonés e viseiras, além de camisas de mangas compridas são alguns dos itens importantes de empresas forneçam aos trabalhadores.

Em cidades no noroeste do Paraná, por exemplo, foi regulamentado o decreto Nº 014/2024, que flexibiliza o horário de trabalho em dias de calor extremo: “O decreto tem o objetivo de garantir condições laborais seguras, preservando a integridade física dos servidores. E impactam servidores da coleta de resíduos; envolvidos em obras públicas e limpeza pública; Agentes Comunitários de Saúde, de Combate a Endemias durante visitas domiciliares”, frisa Vico Bono, prefeito de Nova Londrina.

 

Ar condicionado

 

É comprovado cientificamente que mulheres e homens sentem as temperaturas de maneira diferente por conta de questões fisiológicas. E um dilema muito presente nas empresas é a utilização de ar condicionado.

Um estudo publicado na revista Época mostrou que 53% dos funcionários de empresas americanas acreditam que a produtividade cai quando sentem muito frio no escritório e 71% quando sentem muito calor.

Já aqui, o Ministério do Trabalho e Emprego, por meio da Norma Regulamentadora (NR-17), define que a temperatura ideal para um escritório fique entre 20 e 23° C, com umidade relativa do ar não inferior a 40% e velocidade do ar não superior a 0,75m/s.

Contudo, cabe às empresas definir a temperatura considerada ideal, sem deixar de ouvir a opinião dos funcionários, bem como arcar com a manutenção periódica do aparelho, limpeza e a troca de filtros periodicamente. “O que dificulta muitas vezes a adaptação das pessoas ao ar-condicionado é o uso inadequado, com a criação de ambientes muito secos ou muito frios. Usar baldes de água ou umidificadores de ar já resolve o problema e evita o ressecamento das vias aéreas”, recomenda o médico do Trabalho Rui Bocchino Macedo, em depoimento ao jornal Gazeta do Povo.

 

Ambientes frios

 

Do mesmo modo que é essencial a proteção em locais com altas temperaturas, como em caldeiras, pessoas que atuam em câmaras refrigeradas devem ter ainda mais cuidados durante a jornada laboral. Está em tramitação PL 1.903/2022, que estabelece novas faixas de trabalho e repouso dos empregados que trabalham no interior das câmaras frigoríficas e na movimentação de mercadorias em ambiente com temperatura inferior a zero grau. “Aos empregados que trabalham no interior das câmaras frigoríficas com temperatura acima de zero grau e para os que movimentam mercadorias delas para ambientes quentes ou normais e vice-versa, será assegurado um período de repouso de 20 minutos depois de uma hora e 40 minutos de trabalho contínuo, computado esse intervalo como de trabalho efetivo”, destaca o PL.

Atualmente, é obrigatória a chamada pausa térmica, assegurada pelo artigo 253 da CLT: uma pausa de 20 minutos depois de uma hora e 40 minutos de trabalho para quem atua em baixas temperaturas, de acordo com zonas ou movimenta mercadorias entre ambientes frios e quentes. Esse período é computado como de trabalho efetivo.

“Definir o conforto térmico envolve diversas variáveis, não apenas temperatura. Variáveis como umidade relativa do ar, velocidade do ar, atividade do usuário, vestimenta, exposição à radiação solar, entre outras, também influenciam”, finaliza o engenheiro Leonardo Cozac, presidente do Plano Nacional de Qualidade do Ar Interno (PNQAI), à Revista do Frio.

Foto: iStock

Correção:
O texto foi atualizado em 15/02/2024 em relação ao cargo e instituição a que estaria vinculado o profissional Rui Bocchino Macedo, citado na matéria original.

 

12 de fevereiro de 2024 0 comments
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