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Pesquisa da Fundacentro alerta que a lição mais difícil é cuidar da saúde dos professores - Revista Cipa
SST - Saúde Ocupacional

Pesquisa da Fundacentro alerta que a lição mais difícil é cuidar da saúde dos professores

by 23 de setembro de 2024
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Professores, agentes de educação e demais trabalhadores do ensino têm como missão levar o aprendizado aos mais diversos estudantes e isso requer não apenas o preparo para disseminar o conhecimento, mas também a saúde física e mental para lidar com rotinas muitas vezes exaustivas, em mais de um estabelecimento e com realidades pertinentes, que vão desde a falta de recursos para a aplicabilidade das aulas, passando pelas condições de trabalho até casos de agressões.

 

Em números, de acordo com os dados do Censo Escolar e do Censo da Educação Superior de 2022, o Brasil conta com 2,3 milhões de docentes na educação básica e 316.792 na educação superior, sendo nos anos iniciais do ensino fundamental, 86,6% dos docentes possuem nível superior completo, sendo 84,9% licenciados e 1,7% bacharéis, enquanto 8,5% possuem ensino médio normal/magistério e 4,9% têm nível médio. Já no ensino médio, 96,1% dos professores têm nível superior completo, sendo 91,6% deles licenciados e 4,5% bacharéis, enquanto 3,9% possuem formação de nível médio.

 

 

Saúde dos professores

 

Segundo levantamento pela Fundação Jorge Duprat Figueiredo de Segurança e Medicina do Trabalho (Fundacentro), os principais problemas enfrentados pela categoria estão os distúrbios da voz, transtornos mentais e a violência. A constatação foi feita por conta do projeto “Os impactos do trabalho docente sobre a saúde e segurança dos professores: constatações e possibilidades de intervenção”, que resultou em seminários entre os anos de 2016 a 2018, que após uma pausa, teve a última edição em 2023, além de produção de publicações e livro sobre o assunto.

“O adoecimento ocorre com assujeitamento, que impede a pessoa de ser sujeito de sua própria história pelos processos penosos do trabalho que foram imputados. Trabalhadores adoecidos são os que mais se investem no trabalho. Não há limite na dedicação e se opta por uma estratégia quixotesca, ou seja, você contra o mundo”, destaca Renata Paparelli, professora na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC/SP), uma das participantes do evento promovido pela Fundacentro ano passado.

Ela atende trabalhadores com transtorno mental ou sofrimento psíquico intenso relacionado ao trabalho na Clínica Psicológica Ana Maria Poppovic, da PUC/SP. “Nesse isolamento, nasce o Burnout e também são comuns os casos de Transtorno de estresse pós-traumático (Tept), oriundos de situações de violências física e psicológica sofridas pelos professores”, explica.

 

Projeto de Lei

 

Em tramitação está o Projeto de Lei 2473/2023, que assegura direitos aos professores readaptados (realocados a um novo cargo em razão de limitações adquiridas por problema de saúde), inclusive a aposentadoria especial.De autoria da deputada Professora Luciene Cavalcante (Psol-SP) o PL garante a esses trabalhadores o direito de se aposentarem cinco anos antes do tempo de contribuição.

“Muitas vezes por alguma doença que os incapacita a continuar em sala de aula. Porém, mesmo não estando mais em sala, após o ingresso por concurso público, esses professores obtêm os direitos inerentes ao cargo ocupado, mesmo após readaptados”, comenta a deputada, em entrevista àAgência Câmara de Notícias.

 

Articulações

 

Em agosto,Luiz Marinho, ministro do Trabalho e Emprego (MTE), com Selma Rocha, diretora de Articulação com os Sistemas Nacionais de Ensino, Planos Decenais e Valorização dos Profissionais de Educação, e Maurício Holanda Maia, secretário de Articulação Intersetorial e com os Sistemas de Ensino, ambos do Ministério da Educação (MEC), para discutirem as atividades dos professores no país, sustentabilidade financeira e remuneração a aposentados e os trabalhadores na ativa.“O MEC está realizando trabalhos para aprimorar as estatísticas nacionais sobre a formação acadêmica dos professores, além das possibilidades de elevação do nível educacional, com o objetivo de valorizar a carreira docente”, frisou Selma Rocha.

O Sindicato Nacional dos Servidores Federais da Educação Básica, Profissional e Tecnológica (SINASEFE) destaca que as propostas conversadas englobaram a implementação de uma normativa própria para política de saúde do trabalhador; uma para política de saúde mental (de acordo com a Portaria n° 1261/2010); abono para perícias fora do domicílio do docente; e pautas sobre saúde mental, especialmente aos trabalhadores das InstituiçõesFederais de Educação, Ciência e Tecnologia (IFEs).

“A demanda é tratada pelos sindicatos como urgente, pois os servidores estão adoecendo e as IFEs não estão sabendo lidar com essa situação.Foi encaminhado que o MEC pense em formas de sensibilizar e abrir um debate com os gestores das IFEs, visando minimizar o sofrimento dos trabalhadores, assim como também fazer capacitação e encontros com as equipes médicas que realizam as perícias”, informa nota.

 

Foto: Gaia Schüler – Agência GOV

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Problemas causados pelo Burnout atingem CISOs e ameaça segurança digital no país - Revista Cipa
SST - Saúde Ocupacional

Problemas causados pelo Burnout atingem CISOs e ameaça segurança digital no país

by 24 de julho de 2024
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O esgotamento mental físico e mental, também chamado de Síndrome de Burnout, já é uma realidade entre muitas pessoas que atuam nas mais diversas profissões. Imagine, então, com quem lida com segurança digital, os chamados CISOS (do inglês, Chief Information Security officer, ou responsáveis pela segurança da informação, tradução livre)?

Segundo pesquisa divulgada pela ISACA (Information Systems Audit and Control Association), entidade internacional que elabora certificações de segurança de sistemas, revelou que 70% dos CISOs ouvidos sentem-se esgotados e 30% consideram a possibilidade de deixar seus cargos futuramente. Se medidas preventivas não forem tomadas, a situação pode piorar até 2027, destaca o estudo.

 

Olhar para o trabalhador da segurança digital

 

Para Denis Nesi, diretor executivo e CISO, a resiliência pessoal é importante para lidar com o estresse, mas não é tudo. “É fundamental reconhecer o papel crucial do ambiente de trabalho e das medidas preventivas para a redução do estresse. Na área de cibersegurança, os desafios constantes tornam o trabalho insustentável e o impacto psicológico afeta a qualidade das decisões e prejudica o desempenho dos profissionais”, escreve, em seu artigo.

 

Lindando com o Burnout

 

Ainda colocando na ponta do lápis, segundo a Associação Nacional de Medicina do Trabalho (Anamt), 30% dos trabalhadores brasileiros sofrem com essa doença ocupacional classificada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) desde 2022, e que atualmente, o Brasil é o segundo país com mais casos diagnosticados no mundo.

Para Otávio Pinto e Silva, professor do Departamento de Direito do Trabalho e Seguridade Social da Faculdade de Direito da USP, os departamentos de recursos humanos das empresas precisam estar preparados para enfrentar essas situações e estabelecer um ambiente de trabalho mais saudável. “Muitas vezes, o trabalhador tem uma reação de ficar mais calado, introvertido, e tem até vergonha de expor aquilo que está passando. Todo mundo pode passar por isso um dia, então é muito importante que a empresa tenha esse ambiente adequado para poder enfrentar essas eventuais situações”, aponta, em entrevista à Rádio USP.

Ambos os especialistas reconhecem a necessidade de medidas preventivas. Além de um local de trabalho mais saudável, a redução do estresse, encontrar o autoconhecimento e o equilíbrio entre trabalho e vida pessoal, bem como busca profissional em saúde e inclusive jurídica, no caso de afastamento e direitos trabalhistas, são essenciais nesse período tão delicado.

Foto: Freepik

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Riscos psicossociais em NRs é mote de debate em Brasília - Revista Cipa
SST - Legislação e Normas

Riscos psicossociais em NRs é mote de debate em Brasília

by 29 de maio de 2024
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O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) se reuniu com representantes das categorias que formam a Comissão Tripartite Paritária Permanente (CTPP) para discutir temas relacionados à segurança, saúde e riscos psicossociais relacionados ao trabalho, estufagem manual de contêineres, e atualização da Agenda Regulatória da CTPP no decorrer do ano.

Sobre os riscos psicossociais, a pasta informa que foi estabelecido pelo Grupo de Estudo Tripartite (GET), por meio da Portaria 13.211/2021, que cada bancada é responsável por coordenar os esforços em realizar as ações sugeridas como a divulgação de boas práticas de prevenção sobre o tema, além de estratégias de formação e capacitação dos atores sociais sobre o tema, visando ampliar e fortalecer a capacidade de resposta efetiva dos atores sociais em relação aos riscos psicossociais no trabalho.

 

Combate aos riscos psicossociais

 

Loricardo Oliveira, presidente da Confederação Nacional dos Metalúrgicos da CUT (CNM/CUT), foi um dos participantes da reunião, e destacou que os riscos psicossociais relacionados ao trabalho devem obrigatoriamente fazer parte do Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO), conjunto de ações coordenadas para garantir condições e ambientes de trabalho seguros e saudáveis. “Isso é muito importante para a classe trabalhadora, uma vez que as normas ajudam a proteger trabalhadores contra condições laborais que possam prejudicar sua saúde mental, como estresse excessivo, assédio moral, sobrecarga, contribuindo também evitar a ansiedade, depressão, síndrome de Burnout e outros transtornos relacionados ao trabalho”, frisa.

 

Normas Regulamentadoras

 

Em se tratando de Normas Regulamentadoras, as discutidas para atualização foram as de números 16 (atividades perigosas), 20 (produtos inflamáveis) e 22 (Segurança e Saúde Ocupacional na Mineração). Esta última, aliás, as bancadas aprovaram por consenso o prazo de cinco anos para adequação ao exigido no item que trata de iluminação.

Também ficou estabelecida na nova NR-22 a prorrogação do item que veda o funcionamento de quaisquer instalações da organização localizadas nas áreas de barragem sujeitas à inundação em caso de rompimento, por 90 dias, “além dos 90 já em andamento e a instalação imediata da Comissão Nacional Tripartite Temática (CNTT) para tratar do assunto”, destaca o MTE.

 

Foto: Matheus Damascena – ASCOM/MTE

29 de maio de 2024 0 comments
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Síndrome de Burnon: reconheça os sinais e previna o burnout - Revista Cipa
SST - Saúde Ocupacional

Síndrome de Burnon: reconheça os sinais e previna o burnout

by 7 de maio de 2024
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Atualmente, uma questão que está chamando a atenção no novo cenário da SST é a doença “burnon”, que diferente da síndrome de burnout, quem tem burnon não consegue se afastar do trabalho. Os riscos são muitos, mas, felizmente existem as formas de tratamento.

No ano passado, o governo brasileiro atualizou a lista de doenças incluindo 165 novas patologias, como abuso de drogas e transtornos mentais como o burnout (conhecido como Síndrome do Esgotamento Profissional). “Essa lista do Ministério da Saúde tem como finalidade orientar o SUS, por exemplo, a ter melhores diagnósticos e tratamentos terapêuticos”, afirma Marcelo Mascaro, advogado trabalhista.

A lista foi atualizada pouco tempo depois da pandemia da Covid-19 trouxe à tona doenças mentais como ansiedade, depressão e o próprio burnout, mas outra apareceu recentemente: o burnon – conhecido como paixão excessiva pelo trabalho.

 

Qual é a diferença entre burnout e burnon?

 

Segundo reportagem na Exame, apesar dos nomes serem semelhantes, a psicóloga clínica Cristina Cogo explica que enquanto o Burnout afasta do trabalho, no Burnon a pessoa continua trabalhando. “A Síndrome de Burnout se desenvolve quando a pessoa está exposta às cargas excessivas de trabalho e condições de muita pressão, o que chamamos de Síndrome do Esgotamento Profissional”, diz. “É mais evidente, a pessoa percebe a exaustão e precisa se afastar do trabalho.”

Já a Síndrome de Burnon confunde “paixão pelo trabalho”, segundo a psicóloga, que reforça que a pessoa sofre pela busca da excelência e por ter a sensação de nunca fazer o suficiente. “A pessoa acredita que é uma fraude intelectual, mesmo atingindo altos resultados. Não consegue encontrar prazer fora do ambiente de trabalho, porque se dedica até o ponto de exaustão para atingir sua própria meta ou a imposta pela empresa.”

Pelo sofrimento emocional ser mais ocultado, Cogo afirma que aparentemente a pessoa está sempre satisfeita em sua ocupação (sublimação) e pouco percebe os prejuízos com sua saúde mental.

 

Qual é a origem do burn-on?

 

O conceito de “burn-on” como um fenômeno distinto do burnout é relativamente recente na literatura científica e no discurso sobre saúde mental no trabalho. Diferentemente do burnout, que tem sido amplamente estudado e discutido desde a década de 1970, o burn-on ainda é um termo menos estabelecido e pesquisado, afirma Joaquim Santini, pesquisador internacional de comportamento, com passagem por universidades como Harvard, nos EUA, e INSEAD, na França.

“O termo “burnon” foi definido pelo Dr. Bert te Wildt, psicoterapeuta alemão, e seu colega, o psiquiatra Timo Schiele, em seu livro intitulado “Burn-on: Always on the Brink of Burnout” (Burn-on: Sempre à Beira do Burnout)”, diz o pesquisador.

Por meio de suas pesquisas e experiências clínicas, eles identificaram e caracterizaram o fenômeno do burnon como uma condição em que os indivíduos estão constantemente à beira da exaustão e do colapso, mas continuam a trabalhar e a manter uma aparência de produtividade e sucesso, mesmo que estejam enfrentando uma forma mascarada de depressão.

O Dr. Bert te Wildt tem sido uma voz ativa na discussão sobre o burnon, compartilhando suas percepções e conhecimentos sobre o assunto em entrevistas, como a concedida ao South Morning China Post, onde ele destaca a natureza traiçoeira e muitas vezes negligenciada desse fenômeno no ambiente de trabalho contemporâneo, afirma o pesquisador.

“Nessa entrevista ele diz que o burnon também pode ser descrito como uma depressão mascarada. Ele explica que os pacientes estão sempre à beira de um colapso, mas continuam e cultivam, por trás de um sorriso, um tipo diferente de exaustão e depressão”.”

O burnon pode levar ao burnout, porque aqueles que sofrem com essa condição tendem a subestimar sua fadiga e fragilidade emocional, ou atribuí-las a fatores não relacionados ao trabalho. No entanto, Santini afirma que nem sempre o burnon evolui para o burnout, já que algumas pessoas podem conviver com o problema por anos sem que isso as impeça de comparecer ao trabalho diariamente. “Esse fato contribui para a falta de compreensão do fenômeno tanto pelas autoridades públicas quanto pelas empresas”, diz.

“Aqueles que sofrem de “burn on” continuam a se dedicar intensamente ao trabalho, muitas vezes até o ponto de exaustão. No entanto, ao contrário do burnout, esse comportamento é frequentemente elogiado e recompensado no ambiente corporativo, dando a falsa impressão de que o indivíduo está se destacando em suas funções”, afirma Santini.

 

Causas do burnon

 

O que está causando burnon nas pessoas hoje?

No contexto contemporâneo, a psicóloga afirma que os sinais desta paixão pelo trabalho levam a uma busca incessante pelo sucesso e pela realização profissional.

“Objetivos difíceis de serem alcançados impostos por superiores, competividade com os demais colegas, horas intermináveis de trabalho, informações sem fim por causa da internet, tudo isso gera dificuldade de aproveitar o tempo livre e podem levar a uma obsessão sem limites, uma vez que não consegue se desconectar do trabalho”, diz Cogo que reforça que se trata de uma síndrome silenciosa.

Quais são os sinais sutis do Burnon?

Os sinais sutis do “burn on” podem ser facilmente confundidos com dedicação e comprometimento com o trabalho, o que torna esse fenômeno ainda mais perigoso. Aqui estão alguns sinais aos quais as pessoas devem estar atentas:

  1. Workaholismo: A pessoa se torna obcecada pelo trabalho, dedicando horas extras excessivas e tendo dificuldade em se desligar, mesmo durante o tempo livre.
  2. Negligência do autocuidado: O indivíduo começa a negligenciar suas necessidades básicas, como alimentação adequada, exercícios físicos e sono suficiente, em favor do trabalho.
  3. Isolamento social: As relações pessoais e sociais são colocadas em segundo plano, pois a pessoa se concentra quase exclusivamente em suas responsabilidades profissionais.
  4. Irritabilidade e impaciência: O estresse constante pode levar a mudanças de humor, tornando a pessoa mais irritável e menos tolerante com os outros.
  5. Perda de motivação: Apesar de continuar trabalhando arduamente, o indivíduo pode sentir uma diminuição da satisfação e do prazer em suas atividades profissionais.
  6. Problemas de saúde: Sintomas físicos, como dores de cabeça frequentes, problemas gastrointestinais e fadiga crônica, podem ser indicativos de um desequilíbrio causado pelo excesso de trabalho.
  7. Culpa e ansiedade: A pessoa pode se sentir culpada por tirar um tempo para si mesma ou experimentar ansiedade constante em relação às demandas do trabalho.
  8. Perda de criatividade: A exaustão mental pode levar a uma diminuição da criatividade e da capacidade de resolver problemas de forma inovadora.
  9. Dificuldade em dizer não: O indivíduo pode ter problemas em estabelecer limites saudáveis e recusar demandas adicionais, temendo decepcionar os outros ou prejudicar sua imagem profissional.
  10. Falta de tempo para hobbies e interesses pessoais: As atividades que antes traziam prazer e equilíbrio são abandonadas em favor do trabalho.

Santini reforça que esses sinais podem se manifestar de forma gradual e sutil, tornando-os difíceis de reconhecer.

“Se você ou alguém que você conhece está experimentando vários desses sintomas, é crucial buscar ajuda e fazer mudanças para promover um equilíbrio mais saudável entre o trabalho e a vida pessoal. Lembre-se de que o autocuidado e o bem-estar devem ser prioridades, porque são essenciais para o sucesso e a satisfação a longo prazo, tanto na esfera profissional quanto no pessoal.”

Quais são os riscos para a saúde?

Quando o trabalho começa a se tornar o centro da vida da pessoa, ao longo do tempo problemas podem surgir, afirma Cogo, como episódios de ansiedade, graves estados depressivos, esgotamento físico e mental, pânico e estresse.

“Geralmente, o medo de ser percebido com menos comprometimento, impede a busca pela ajuda profissional, deixando as consequências de a saúde mental evoluírem silenciosamente.”

Entre as profissões que são mais suscetíveis a desenvolver a Síndrome de Bunon, isto devido ao excesso de trabalho vinculado à pressão, a psicóloga cita como exemplo advogados, psicólogos, médicos, enfermeiros, jornalistas, bancários, policiais, professores, oficiais de justiça, atendentes de telemarketing e demais profissionais que exercem longas jornadas de trabalho.

Como tratar o burnon e o burnout?

Reconhecer as diferenças entre burn-on e burnout é essencial para abordar essas questões de forma adequada, afirma Santini. Enquanto o burnout requer intervenções para aliviar a exaustão e recuperar o equilíbrio, o burn-on demanda uma mudança de mentalidade e a adoção de estratégias para estabelecer limites saudáveis e priorizar o autocuidado.

“Em ambos os casos, é fundamental criar um ambiente de trabalho que valorize a saúde mental e o bem-estar dos funcionários, promovendo uma cultura de respeito, apoio e equilíbrio. Somente assim será possível prevenir e superar os desafios impostos tanto pelo burn-on quanto pelo burnout”, diz o pesquisador.

A cultura do autocuidado também é uma diretriz ao tratamento da Síndrome de Burnon, afirma Cogo. “O descanso do trabalho é muito importante para a saúde mental, ou seja, é preciso ter equilíbrio entre a vida pessoal e profissional, já que é comum a pessoa negligenciar as necessidades pessoais e sociais.”

Além do equilíbrio, a psicóloga reforça que terapias, atividades de lazer como um esporte ou uma arte, encontro com amigos, férias e até yoga pode ajudar o funcionário a cuidar da saúde física e mental.

Outro ponto que Cogo traz é a necessidade de ver essas doenças com um olhar ocupacional, ou seja, mais ligada à gestão de trabalho do que a aspectos individuais.

“Se a pessoa está apaixonada pelo trabalho, tudo fica muito intenso, desde a entrega dos resultados ao tempo dedicado. Assim, percebe-se que o tratamento de ambas as doenças se inicia em respeitar os limites de si mesmo. É preciso cuidar de si mesmo para que não ultrapasse a linha do que é saudável.”

No nível organizacional, Santini reforça que é crucial que as empresas promovam uma cultura de bem-estar e equilíbrio. Isso pode envolver a implementação de políticas de horário flexível, o incentivo a pausas regulares durante o dia de trabalho, a oferta de programas de gerenciamento de estresse e a promoção de um ambiente de trabalho positivo e colaborativo. “Os líderes têm um papel fundamental em modelar comportamentos saudáveis, comunicar expectativas realistas e oferecer suporte e recursos adequados aos funcionários”, diz.

“Além disso, é importante que as organizações invistam em treinamentos e desenvolvimento de habilidades para ajudar os funcionários a lidar com o estresse e a construir resiliência. Programas de mentoria, coaching e aconselhamento podem ser valiosos para fornecer orientação e suporte individualizados.”

 

Foto: Reprodução

7 de maio de 2024 0 comments
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Estresse prolongado prejudica gradativamente a saúde dos trabalhadores, apontam estudos - Revista Cipa
SST - Saúde Ocupacional

Estresse prolongado prejudica gradativamente a saúde dos trabalhadores, apontam estudos

by 11 de março de 2024
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Boletos, problemas pessoais e profissionais, guerras, crise climática, violência nas cidades. Esse combo de notícias e situações ruins juntamente com local de trabalho tenso pode resultar em problemas sérios de saúde. Pesquisa da Associação Americana de Psiquiatria mostrou que a exposição constante a notícias negativas, informações perturbadoras e imagens angustiantes é um dos principais impulsionadores do estresse e da ansiedade dos funcionários, podendo prejudicar a saúde e a produtividade dentro das empresas. Em números, os trabalhadores norte-americanos estão preocupados com a inflação (76%), a violência (69%) e o meio ambiente (61%).

Já no Brasil, os trabalhadores da chamada Geração Z (pessoas nascidas, em média, entre a segunda metade da década de 1990 e o ano de 2010) estão entre as mais deprimidas e ansiosas, segundo outro levantamento, o da health tech Vittude, especializada em saúde mental, divulgada pela Bloomberg Línea.

Dados apontam que uma em cada quatro pessoas empregadas no país (27,7% do total) com idade até 25 anos se diz com ansiedade; a mesma proporção (27,5%), com depressão; e uma em cada três (36,5%), com estresse. “A geração que registrou maiores índices de transtornos é também a primeira nativa digital, ou seja, já nasceu em um ambiente assim. Podemos traçar um paralelo entre o aumento do desenvolvimento de transtornos mentais como esses citados pela pesquisa com o aumento de contato e familiaridade com a tecnologia”, salienta Tatiana Pimenta, CEO da Vittude.

 

Gatilhos do estresse

 

O excesso de informações, telas e ainda a acessibilidade constante a dispositivos de demonstram as pessoas estarem sempre online e/ou dispostas a trabalhar a qualquer momento e em qualquer lugar são os gatilhos para doenças relacionadas ao estresse, como Burnout, ansiedade e depressão, alertam os especialistas.

Falando em Síndrome de Burnout, o Brasil tornou-se um terreno fértil para o desenvolvimento desse transtorno, destaca a psiquiatra Alexandrina Maria Meleiro, da Associação Nacional de Medicina do Trabalho (Anamt), à CNN. “O Brasil é o primeiro país no mundo no índice de ansiedade (9,3%) e é o quinto no mundo de depressão, só perdendo na América para os EUA. Então, nós temos uma incidência muito alta, uma prevalência de depressão e ansiedade e claro que isso atinge o trabalhador. Em média, 30% são afastados e é um dos motivos de mais incapacidade para o trabalhador”, frisa.

“Tem uma série de profissões que são mais comuns de se observar esse tipo de fenômeno. Trabalhadores da área da saúde, submetidos a situações de extremo estresse, tendo que lidar com perdas muito significativas, com o medo de contaminação, com incerteza às vezes com condições de trabalho que não são favoráveis”, pontua Catarina Dahl, consultora de saúde mental, álcool e outras drogas das Organizações Pan-Americana da Saúde (Opas) e Mundial de Saúde (OMS), também ao canal.

 

Por um ambiente que favoreça a resiliência

 

Inevitável estarmos alheios ao noticiário, inertes ao uso de tecnologias e dispostos a ficar totalmente off-line, contudo a busca pelo equilíbrio necessita ser uma premissa se quisermos melhorar a qualidade de vida e de trabalho.

Para tanto, as empresas precisam também embarcar nesse objetivo, estando cientes da importância de pausas, respeito aos horários, distribuição de tarefas, demandas e ainda o emprego de ações de saúde mental não sendo vistas apenas como um bônus, mas ferramenta importante aos colaboradores. “Não cabe mais olhar a saúde mental como um pilar de benefício oferecido. O cuidado emocional precisa ser integrado e exige atenção por meio de programas. Afinal, isso impacta o bem-estar, a motivação, odesempenho e a produtividade das equipes”, frisa Tatiana Pimenta, da Vittude.

 

Como, então, as corporações podem ser aliadas a esse propósito?

 

Melissa Miller, diretora de clínica médica, e Andrea Mingo, treinadora de Wellness, ambas da plataforma de saúde e meditação Calm, recomendam que as organizações invistam na cultura da conversa, com times alinhados em criar uma “aliança para a saúde psicológica”, ou seja, um manifesto a favor da saúde mental, dando voz a todos os atores. Isso pode ser feito desde o setor de Recursos Humanos até as pessoas que trabalham como terceirizadas, por meio de treinamentos e capacitações, sempre com uma ajuda especializada.

Elas também propõem o que chamam de “PIE check-in”, uma verificação se os times estão bem nos quesitos Físico (Physical), Intelecto (Intellectual) e Emocional (Emotional). “Inicie reuniões com uma conversa aberta com a equipe, permitindo que os funcionários sejam ouvidos por meio da auto-avaliação. Como você está fisicamente, intelectualmente, emocionalmente? Às vezes, a resposta vai ser ‘estou exausto, triste’ ou ‘sinto-me esgotado, sobrecarregado’. Dar espaço para compartilhar, de forma autêntica, ajuda as pessoas a se sentirem mais seguras o suficiente para dividir esses problemas, e os líderes, em especial de RH, possam entender essas demandas e buscar ajuda”, esclarecem.

Foto: GettyImages

11 de março de 2024 0 comments
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Panorama brasileiro mostra que saúde do trabalhador deve ser prioridade nas organizações - Revista Cipa
SST - Saúde Ocupacional

Panorama brasileiro mostra que saúde do trabalhador deve ser prioridade nas organizações

by 11 de janeiro de 2024
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As Comissões Internas de Prevenção de Acidentes e Assédio (CIPAs), os Centros de Referência ao Trabalhador (Cerests) e outros programas realizados pela Saúde Pública ou dentro das empresas são de extrema valia para preservar o bem-estar e a vida dos colaboradores. E isso vai além de um dispositivo obrigatório, já que segundo a CLT em seu artigo 162, determina que as organizações devem o de manter serviços especializados em medicina do trabalho e do artigo III ao XV, são dispostas as normas referentes à Segurança e Saúde do Trabalho.

Dados obtidos pelo site Empregos.com.br mostram um aumento de quase 50% no interesse das empresas em implantar ações de bem-estar aos colaboradores, já que um quarto das organizações afastou funcionários por adoecimento mental nos últimos 12 meses. A Síndrome de Burnout, classificada como doença ocupacional pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em 2022 e inclusa na lista de doenças ocupacionais no Brasil em 2023, é responsável pelo afastamento de 30% dos empregados.

 

Inspiração para as organizações

 

Para Mariano Alberichi, engenheiro de Segurança do Trabalho do Sesi Paraná, a SST é essencial para não só evitar acidentes e promover ações de saúde mental, mas também um assunto que deve ser discutido e inspirado nas organizações. “É importante tratar esse assunto sobre dois pontos de vista: o econômico, que encobre os custos referente aos treinamentos, atendimento à legislação, equipamentos adequados e melhor qualidade de itens como os equipamentos de proteção, evitando os passivos trabalhistas; e o lado humano, diretamente ligado à promoção da saúde no ambiente de trabalho e a consciência desse trabalhador em relação a sua importância dentro da empresa”, frisa.

Muito embora haja bons exemplos da aplicabilidade da SST nas corporações, ainda há um longo caminho a ser percorrido: pelo menos um brasileiro morre no país a cada 3h47 em decorrência de um acidente laboral, segundo o Observatório de Segurança e Saúde no Trabalho. Quais seriam, portanto, as soluções? Para José de Lima Ramos Pereira, procurador-geral do trabalho, ao jornal Extra, o tema precisa estar em pauta em todas as esferas: “Na maioria das vezes, um acidente ocorre por descaso de quem tem o dever de oferecer equipamento melhor, orientação e um ambiente seguro, e não o fazem. Deve ser preocupação constante para nós, em razão das perdas de vidas e de capacidade laborativa em todo o mundo”, argumenta.

 

Mudanças necessárias

 

Já para Diego de Oliveira Souza, professor da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) e membro do Grupo de Trabalho em Saúde do Trabalhador da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), se faz necessária uma mudança também nos mecanismos de notificação de acidentes de trabalho. “Submetidos ao controle social devem ser concretizados, pois as Comunicações de Acidente de Trabalho já se mostraram suscetíveis as manipulações de empresas, assim como as notificações do Sistema de Informação de Agravos de Notificação têm se revelado incipientes, refletindo a invisibilidade da STT nos demais setores internos e externos ao Sistema Único de Saúde”, frisa, em artigo ao site Outras Palavras.

E conclui: “As CIPAs, conselhos de saúde, sindicatos, cooperativas de trabalhadores, entre outros, devem exercer um papel mais eminente no processo de notificação, até como reflexo de seu protagonismo na vigilância em saúde do trabalhador em geral”.

Foto: reprodução

11 de janeiro de 2024 0 comments
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SST - Saúde Ocupacional

Janeiro Branco alerta para a relação da saúde mental com os acidentes de trabalho

by 1 de janeiro de 2024
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Estamos em mais um Janeiro Branco, mês alerta sobre a importância da conscientização sobre a saúde mental, e o tema está ganhando ainda mais notoriedade no campo corporativo: o Ministério da Saúde atualizou em novembro a lista de doenças relacionadas ao trabalho, rural, urbano, formal e informal, incluindo a Covid-19 e a Síndrome de Burnout.

O documento não era atualizado há 24 anos e também agregou outras 165 patologias, como distúrbios musculares, esqueléticos e alguns tipos de câncer. Com a nova portaria, já aceita ministérios do Trabalho e Emprego e da Previdência Social, o número de diagnósticos possíveis saltou de 182 para 347. Burnout, por exemplo, afeta 30% dos trabalhadores no Brasil, segundo a Associação Nacional de Medicina do Trabalho (Anamt), sendo o excesso de funções uma das principais.

 

Alerta

 

Outro alerta vindo da pesquisa é a conclusão de que houve um aumento de 72% entre os anos de 2020 e 2022 das ações trabalhistas relacionadas com a síndrome do esgotamento profissional, sendo o Estado de São Paulo o que concentra a maior parte dos casos judiciais, explicam em artigo ao Consultor Jurídico, Ricardo Calcini, professor e sócio-consultor do escritório Chiode e Minicucci Advogados | Littler Global; e Leandro Bocchi de Moraes, membro da Comissão Especial da Advocacia Trabalhista da Ordem dos Advogados do Brasil – São Paulo (OAB-SP).

Essa demasia de tarefas, associada ao constante uso e (dependência) dos dispositivos eletrônicos, encabeçam os motivos para o esgotamento físico e mental, sendo também motivo por desencadear doenças de trabalho. Mariana Zieza, psicóloga especialista em saúde mental, ressalta o chamado Burnout Digital, transtorno caracterizado pelo hiperestímulo por conta da exposição prolongada às telas, causando um impacto negativo na saúde e no bem-estar. “Somos constantemente afetados por uma cultura da produtividade, que nunca pode parar, em que há uma desvalorização do ócio, nos sobrecarregando”, explica a psicóloga, em entrevista à Tupi FM.

E arremata a importância de atividades off-line em prol do bem-estar: “É fundamental reservar tempo para hobbies, exercícios físicos e interações sociais no mundo real, a fim de manter um equilíbrio saudável. Com essas medidas, é possível desfrutar dos benefícios da tecnologia sem prejudicar a saúde”, esclarece Mariana Zieza.

 

Mulheres e Burnout

 

A Saúde Mental também é um tema discutido em outros países. Estudo da Atticus, empresa americana de advocacia que apoia pessoas a buscar ajuda do governo e de seguros, mostrou que estresse e ansiedade são agora os mais comuns no ambiente laboral, representando 52% de todos os casos de lesões ou doenças relacionadas.

Para Bryan Robinson, colaborador da Forbes e professor emérito da Universidade da Carolina do Norte, esse cenário é ainda mais crítico às trabalhadoras e mães, em razão de fatores diversos como a jornada dupla, dívidas, remuneração baixa e, novamente, sobrecarga de trabalho. “Hoje, 60% delas querem mudar sua situação financeira e 30% gostariam de mudanças em sua jornada ocupacional, segundo levantamento da ONG Think Olga com 1.078 brasileiras com mais de 18 anos. Isso pode explicar por que 45% das mulheres receberam diagnóstico de ansiedade, depressão ou algum tipo de transtorno mental”, destaca o pesquisador em seu artigo.

 

Autoconhecimento

 

A promoção de mais políticas públicas voltadas à saúde mental, investimento em ações dentro das empresas e, principalmente, um plano de autocuidado são instrumentos importantes para mitigar os transtornos mentais às trabalhadoras e trabalhadores.  “Conhecer seus limites, definir expectativas realistas, evitar o esgotamento e comunicar sentimentos de sobrecarga ou fadiga a chefes e colegas de trabalho. Isso pode significar recusar um novo projeto ou abrir mão de algumas responsabilidades. Cada um precisa fazer a sua parte para proteger a saúde mental”, conclui Robinson.

Foto: Freepik

1 de janeiro de 2024 0 comments
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